Yuri Sanches: "O elemento humanoé chave para o que a gente consegue captar estatisticamente" (Renato Pizzutto/Band)
Colaboradora
Publicado em 25 de outubro de 2026 às 21h51.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições deste domingo, 25, foi resultado de uma combinação de fatores que se consolidaram na reta final da campanha, avalia Yuri Sanches, analista do Instituto AtlasIntel. Durante a cobertura do segundo turno da EXAME, ele afirmou que, embora as pesquisas já indicassem uma aproximação entre os candidatos, ainda havia dúvidas sobre a concretização de uma virada nas urnas.
“Haviam indícios de uma aproximação na corrida. As chances de uma virada do Lula estavam na casa dos 25%”, afirmou Sanches. Segundo ele, um dos desafios era entender se os eleitores que declaravam preferência pelo petista efetivamente compareceriam para votar. Com mais de 98,2% das urnas apuradas, Lula se reelegeu com 51,75% dos votos válidos, o equivalente a 64.060.863 votos.
Na avaliação do analista, a reta final também foi marcada pela migração de votos de eleitores que consideravam candidatos de terceira via. “O que observamos é que houve essa migração, houve o comparecimento do eleitor, houve uma mudança de direção de voto, houve um convencimento entre o eleitor que estava entre candidatos de terceira via e que foram para Lula na reta final”, disse.
Para Sanches, o resultado evidencia os desafios enfrentados pelos institutos de pesquisa para captar mudanças no comportamento do eleitorado em momentos decisivos. Embora os levantamentos apontassem uma disputa mais acirrada, não era possível garantir que a mudança de intenção de voto e o comparecimento às urnas ocorreriam na proporção necessária para confirmar a virada.
“Momentos históricos como esse, momentos sem precedentes, são desafiadores de ser captados”, afirmou. Ele destacou ainda que, apesar dos métodos estatísticos, as pesquisas dependem das respostas e decisões das pessoas ouvidas. "O elemento humanoé chave para o que a gente consegue captar estatisticamente. O que é sinal e o que é ruído no meio de um ciclo eleitoral tão complexo quanto esse".