Lula é reeleito presidente para 4º mandato em virada histórica sobre Flávio Bolsonaro (Ricardo Stuckert/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 25 de outubro de 2026 às 21h12.
Última atualização em 25 de outubro de 2026 às 21h41.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está reeleito para um quarto mandato após ter acumulado 51,75% dos votos válidos às 21h11 deste domingo, 25, com 98,76% das urnas apuradas. Com o resultado histórico, Lula passa a ser o primeiro presidente do Brasil desde a redemocratização a conseguir uma virada do primeiro para o segundo turno. Será, também, o primeiro a governar por quatro mandatos. Flávio Bolsonaro (PL) obteve 48,25% dos votos.
A vitória representa uma reviravolta eleitoral para o petista de 80 anos, que encerrou o primeiro turno, em 4 de outubro, com 2,2 milhões de votos a menos do que Flávio Bolsonaro. Na ocasião, o senador obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do atual presidente.
Lula virou em apenas um estado onde havia perdido no primeiro turno: Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. Desde a redemocratização do país, nos anos 1980, o candidato que vence no Estado é eleito presidente.
Ao longo das três semanas seguintes, Lula conseguiu reduzir a vantagem do adversário nas pesquisas, que chegou a quatro pontos percentuais, e alcançou a reta final em empate técnico.
A reação resultou de uma reorganização da campanha, com mudanças na coordenação política e na estratégia de comunicação. O senador Camilo Santana (PT-CE) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ganharam protagonismo na articulação política, enquanto parlamentares com forte presença digital, como André Janones (Rede-MG), passaram a atuar na mobilização de apoiadores nas redes sociais.
A campanha também investiu na mobilização de rua. Na véspera da eleição, Lula participou de dois atos multitudinários, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo. As manifestações foram o ponto culminante de uma campanha que havia começado o segundo turno sob o risco de desmobilização da militância.
A vitória, no entanto, não significa que Lula terá facilidade para governar. O presidente começará seu quarto mandato diante de um Congresso ainda mais à direita, sobretudo no Senado, onde o PL, partido de Flávio Bolsonaro, conquistou 19 das 54 cadeiras em disputa e passará a contar com uma bancada de 28 dos 81 senadores, sem contar seus aliados bolsonaristas em partidos do Centrão como Republicanos, PP, Podemos e Novo. Será a maior bancada partidária da Casa no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988. O PT, por sua vez, terá nove senadores.
Na Câmara, o PL também será a maior força política, com 121 dos 513 deputados federais, ante 97 eleitos em 2022. A federação formada por PT, PCdoB e PV conquistou 88 cadeiras, das quais 70 pertencem ao partido do presidente. A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, terá outros 87 deputados, enquanto PSD, Republicanos e MDB contarão, respectivamente, com 43, 41 e 36 parlamentares.
A composição do Congresso exigirá de Lula uma articulação política ainda mais complexa do que a deste terceiro mandato.
O avanço da oposição também representa uma ameaça à agenda do governo em temas como política fiscal, segurança pública e relações trabalhistas. No Senado, uma proposta de emenda à Constituição exige o apoio de pelo menos 49 parlamentares em dois turnos de votação. Para aprovar indicações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo precisa reunir ao menos 41 votos.
A vitória eleitoral ocorre, ainda, apesar do desgaste do governo. Pesquisa Datafolha divulgada na véspera da votação mostrou que 39% dos entrevistados consideravam a administração ruim ou péssima, enquanto 36% a avaliavam como ótima ou boa. O saldo negativo persistiu mesmo diante de indicadores econômicos favoráveis, como o desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto e a inflação acumulada de 4,58% nos 12 meses até setembro.
Prestes a completar 81 anos, Lula conquista sua quarta vitória nas urnas depois de ter sido eleito em 2002, 2006 e 2022. A reeleição prolonga uma trajetória política iniciada nas greves do ABC paulista, no fim da década de 1970, e que transformou um ex-operário em um dos personagens mais importantes da história política brasileira.