Brasil

Brasileiras e estrangeiras terão ajuda em casos de violência

Está prevista ainda a capacitação de profissionais sobre as especificidades de atendimento a essas mulheres


	A ministra Eleonora Menicucci: “Qualquer mulher presa por qualquer tipificação de crime merece um tratamento digno e respeitoso e merece um advogado competente e de qualidade”, disse.
 (Wilson Dias/ABr)

A ministra Eleonora Menicucci: “Qualquer mulher presa por qualquer tipificação de crime merece um tratamento digno e respeitoso e merece um advogado competente e de qualidade”, disse. (Wilson Dias/ABr)

DR

Da Redação

Publicado em 13 de junho de 2013 às 07h48.

Brasília – Mulheres vítimas de violência por parte dos companheiros e acusadas de sequestro internacional de crianças por tirar os próprios filhos de um país estrangeiro; migrantes nas fronteiras secas; estrangeiras presas; e vítimas de tráfico internacional terão acesso a serviços de assistência jurídica no Brasil.

O anúncio foi feito hoje (8) pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, em parceria com o Ministério da Justiça e a Defensoria Pública da União, por meio da assinatura de um termo de cooperação técnica que disponibiliza acesso à Justiça gratuito e integral.

Para a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, o acordo representa uma das parcerias que faltavam no enfrentamento à violência contra as mulheres. “Qualquer mulher presa por qualquer tipificação de crime merece um tratamento digno e respeitoso e merece um advogado competente e de qualidade”, disse.

Com vigência de 24 meses, o acordo prevê que essas mulheres sejam orientadas, por meio da Ouvidoria da Mulher e da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), a entrar em contato com a Defensoria Pública da União sempre que não tiverem condições de contratar serviços jurídicos particulares.

Segundo a pasta, está prevista ainda a capacitação de profissionais sobre as especificidades de atendimento a essas mulheres. “O acordo só tem sentido quando aponta possibilidades reais e concretas de trabalho. Já temos o passo a passo, os fluxos e o protocolo”, destacou a ministra.


O defensor público-geral federal, Haman Tabosa de Moraes, garantiu que o órgão se compromete a defender essas mulheres, em cumprimento a uma missão que é constitucional. “É um ato simbólico em um dia tão simbólico [Dia Internacional das Mulheres]. Esse termo de cooperação técnica leva a cara do acesso à Justiça”, destacou.

De acordo com o diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, Augusto Eduardo de Souza, o Brasil conta com cerca de 545 mil pessoas encarceradas, sendo 36 mil delas mulheres. Nos últimos 12 anos, houve um crescimento de 256% da população carcerária feminina. Já o déficit carcerário feminino no país chega a 14 mil vagas.

Ainda segundo ele, a maioria da população feminina encarcerada é jovem e tem de 18 a 29 anos. Quase 60% dessas mulheres têm baixa escolaridade, já que poucas concluíram o ensino fundamental. Cerca de 80% delas estão presas por crimes relacionados ao tráfico de drogas e mais de 60% são negras ou pardas.

Ao todo, o Brasil conta com 82 estabelecimentos prisionais femininos. Cerca de 85% das mulheres encarceradas não foram julgadas e são presas provisórias.

Acompanhe tudo sobre:PolíticaMulheresViolência urbana

Mais de Brasil

Lula vai tirar lesão de pele na cabeça em hospital em SP

Governo quer usar receita com alta do petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis

Câmara aprova multa para quem jogar lixo na rua

Alerj aciona STF para que presidente da Casa assuma governo interino do Rio