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Negociação com EUA sobre Pix avança, mas Brasil deve adiar propostas de negociação

Planalto quer aguardar definição do quadro da negociação com governo Trump antes de apresentar concessões tarifárias

Publicado em 13 de maio de 2026 às 07h28.

Última atualização em 13 de maio de 2026 às 07h57.

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O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve apresentar, por ora, propostas de redução de tarifas sobre produtos americanos no âmbito das negociações comerciais com os Estados Unidos envolvendo a investigação aberta contra o Brasil sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, que cita entre os pontos o Pix.x

A avaliação interna, segundo O Globo, é de que o Planalto só avançará com eventuais concessões após ter um quadro mais claro da negociação em curso com o governo do presidente Donald Trump, iniciada na semana passada durante reunião na Casa Branca.

O sinal verde para a abertura das conversas ocorreu na última quinta-feira, quando Lula pediu a Trump o encerramento da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos. O processo, aberto sob a Seção 301, reúne queixas americanas sobre práticas brasileiras consideradas barreiras ao comércio bilateral.

No dia seguinte ao encontro, o ministro de Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, conversou com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, dando sequência às tratativas. Uma nova rodada de diálogo deve ocorrer ainda nesta semana, inicialmente por videoconferência.

Segundo integrantes do governo brasileiro, a estratégia inicial será de mapeamento técnico, com apresentação de dados da balança comercial entre os dois países antes de qualquer discussão sobre concessões tarifárias.

Governo adota cautela e evita ofertas iniciais

No Palácio do Planalto, a orientação é de cautela. Em reunião realizada na segunda-feira, Lula determinou que ministros acompanhem de perto cada etapa das conversas com os Estados Unidos e reportem diretamente os desdobramentos ao presidente.

Participaram do encontro integrantes das pastas da Fazenda, Minas e Energia, Indústria e Comércio, Justiça, além da Casa Civil e da Secretaria de Comunicação Social. O objetivo é coordenar a atuação do governo nas diferentes frentes da negociação.

Ficou definido que, neste primeiro momento, o Brasil não fará ofertas formais até que haja maior clareza sobre as demandas americanas e o espaço real de negociação.

A investigação aberta pelos Estados Unidos sob a Seção 301 cita uma série de práticas brasileiras consideradas problemáticas por Washington. Entre elas estão críticas ao Pix, alegações sobre barreiras ao comércio de etanol, combate insuficiente à pirataria e preocupações com acesso de empresas americanas ao mercado digital brasileiro.

O mecanismo é utilizado pelo governo americano para apurar práticas comerciais consideradas desleais e pode resultar em medidas unilaterais caso não haja acordo entre as partes.

Segundo a apuração americana, o Brasil adota políticas que estariam restringindo o acesso de exportadores dos Estados Unidos ao seu mercado, o que motivou a abertura formal do processo no ano passado.

Próximos passos incluem avaliação da balança comercial

O governo brasileiro pretende usar as primeiras reuniões para apresentar dados detalhados da relação comercial entre os dois países e buscar delimitar os pontos efetivos de divergência.

As equipes técnicas de Brasil e Estados Unidos terão cerca de 30 dias para avançar nas discussões sobre tarifas de importação, etapa considerada decisiva para definir o ritmo da negociação.

Apesar do avanço inicial, integrantes do governo avaliam que ainda não há consenso sobre o escopo das demandas americanas nem sobre o espaço para possíveis concessões brasileiras.

*Com O Globo

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