Brasil

Bolívia diz ser pressionada para dar salvo-conduto a senador

Para autoridades bolivianas, Brasil faz pressão para conceder salvo-conduto a Roger Pinto Molina, que recebeu asilo político em território brasileiro

Vista de La Paz: autoridades dizem que Brasil faz pressão para que Bolívia conceda salvo-conduto ao senador da oposição, Roger Pinto Molina, que recebeu asilo político em território brasileiro (Wikimedia Commons)

Vista de La Paz: autoridades dizem que Brasil faz pressão para que Bolívia conceda salvo-conduto ao senador da oposição, Roger Pinto Molina, que recebeu asilo político em território brasileiro (Wikimedia Commons)

DR

Da Redação

Publicado em 19 de julho de 2012 às 13h16.

Brasília - As autoridades da Bolívia reclamam do que chamam de pressão do governo do Brasil para a concessão do salvo-conduto a Roger Pinto Molina, senador da oposição, que recebeu asilo político em território brasileiro há mais de 50 dias. A ministra das Comunicações, Amanda Davila, disse que a Embaixada do Brasil em La Paz faz pressões contra o governo boliviano.

"Lamentamos as declarações do embaixador do Brasil na Bolívia [Marcel Biato] sobre as pressões que tem feito utilizando a mídia [ao invés dos canais diplomáticos]", disse a ministra, referindo-se a Pinto Molina, que pediu asilo ao Brasil, alegando perseguição política na Bolívia.

Para Amanda Davila, o governo do Brasil foi precipitado ao conceder o asilo político a Pinto Molina. Segundo ela, as autoridades brasileiras foram informadas sobre suspeitas de irregularidades envolvendo o senador de oposição, na região do departamento (o equivalente a estado) de Pando, quando foi prefeito.

“Enviamos todos os registros para as autoridades [do Brasil] que comprovam que foi tomada uma decisão rápida para a concessão de asilo político, sem conhecimento sobre os processos judiciais neste momento”, disse a ministra, informando que a concessão de asilo ao senador transgrediu a convenção internacional sobre o tema.

Porém, as autoridades brasileiras, responsáveis pela condução do processo, negam quaisquer tipos de pressão para a concessão do salvo-conduto. Não há referências sobre suspeitas de irregularidades envolvendo o processo diplomático referente a Pinto Molina, de acordo com diplomatas brasileiros.

As autoridades bolivianas acusam Pinto Molina de corrupção e de atrapalhar a atuação da Justiça nas investigações sobre desvios de recursos, em 1999, na região de Pando. Desde que denunciou perseguição política, o senador está abrigado na Embaixada do Brasil em La Paz, em um quarto, à espera da concessão do salvo-conduto pelo governo boliviano.

Acompanhe tudo sobre:América LatinaBolíviaDiplomacia

Mais de Brasil

Michelle 'não pode desistir no meio do caminho', diz Celina sobre disputa ao Senado no DF

Moraes nega pedido para que Javier Milei visite Jair Bolsonaro

Escassez de mão de obra qualificada custa R$ 335 bilhões ao Brasil, diz estudo

Em meio ao tarifaço, quem está na frente nas pesquisas para presidente?