Brasil

BC prevê mais moderação na expansão do crédito este ano

A estimativa de crescimento do estoque de crédito de todo o sistema foi ajustada de 13% para 12%

Tulio Maciel: "a menor confiança de consumidores é um fator que tende a influenciar a tomada de crédito” (Wilson Dias/ABr)

Tulio Maciel: "a menor confiança de consumidores é um fator que tende a influenciar a tomada de crédito” (Wilson Dias/ABr)

DR

Da Redação

Publicado em 25 de junho de 2014 às 13h34.

Brasília - O Banco Central (BC) reduziu a projeção para a expansão do saldo das operações de crédito este ano, com menor participação dos bancos privados nacionais e aumento dos estrangeiros. A estimativa anterior de crescimento do estoque de crédito de todo o sistema financeiro era 13% e foi ajustada para 12%.

O crédito dos bancos públicos deve crescer 17%, a mesma estimativa anterior. No ano passado, a alta ficou em 22,6%. Já os bancos privados nacionais devem apresentar expansão do crédito de 6%, ante 6,6% em 2013. Os bancos privados estrangeiros devem registrar crescimento de 9%, contra 8% previstos em março pelo BC.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, os ajustes na projeção foram feitos com base nos “dados observados até o momento”. Maciel acrescentou que a moderação no crédito é uma tendência de longo prazo. Ele lembrou que em 2010 a expansão do crédito ficou em cerca de 21%, caiu para 19%, no ano seguinte, 16%, em 2012 e 14,7%, em 2013. Em 12 meses encerrados em maio, a expansão está em 12,7%.

A alta da taxa básica de juros, a Selic, ajudou a levar a esse menor crescimento. “O que se espera, quando há elevação da taxa de juros, é moderação no crédito”, disse. Ele acrescentou que, apesar da moderação, o crédito continua a contribuir para o desenvolvimento do país de forma sustentável.

Segundo Maciel, a menor confiança de consumidores “é um fator que tende a influenciar a tomada de crédito”. “Pressupõe uma cautela tanto por parte dos tomadores quanto por parte dos bancos. Em termos de inadimplência, isso não tende a trazer um impacto maior”, disse.

Em maio, a inadimplência, como são considerados atrasos superiores a 90 dias, subiu 0,2 ponto percentual em relação a abril, tanto para empresas (3,5%) quanto para famílias (6,7%). Esses dados são do crédito livre, em que os bancos têm autonomia para aplicar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros.

A inadimplência total, como são considerados créditos livre e direcionados para empresas e famílias, subiu 0,1 ponto percentual, para 3,1%, em maio.

Para Maciel, é preciso observar os resultados dos próximos meses para verificar se a alta da inadimplência se consolida. “De qualquer maneira, a inadimplência se encontra em patamares relativamente baixos. Depois de meses em patamares próximos ao piso, 0,1 no crédito total é uma relativa estabilidade. É um movimento marginal”, disse.

Acompanhe tudo sobre:Mercado financeiroEstatísticasIndicadores econômicosBanco CentralSelicCrédito

Mais de Brasil

Flávio Bolsonaro parabeniza Fujimori e organiza alianças com direita latina

Legislativo cria modelo único com foco no desenvolvimento regional em SC

Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após ser alvo da PF

Preço de passagens aéreas sobe 11% em maio com alta dos combustíveis