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Aumento do diesel: entenda a proposta do governo aos estados para zerar ICMS sobre importação

Proposta será levada aos governadores, que devem tomar uma decisão até 27 de março

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 18 de março de 2026 às 14h07.

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O governo federal apresentou aos estados uma proposta de desoneração do ICMS sobre a importação de diesel como resposta aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços no Brasil. A iniciativa busca reduzir o custo do combustível para os consumidores em meio à pressão internacional sobre o petróleo.

O modelo discutido pelo Ministério da Fazenda prevê isenção do imposto até o fim de maio, com compensação de 50% das perdas de arrecadação por parte da União, segundo o secretário-executivo Dario Durigan.

"A proposta que foi levada aos estados de maneira temporária foi de se retirar o ICMS de importação do diesel, com uma contribuição de 50% da renúncia que os estados teriam que arcar", disse Durigan aos jornalistas nesta quarta-feira.

A estimativa do governo aponta que a medida pode resultar em uma renúncia de cerca de R$ 3 bilhões até maio. Metade desse valor seria assumida pelo governo federal, enquanto o restante ficaria a cargo dos estados. Ainda não há definição sobre o formato do repasse, mas a compensação pode ocorrer por meio de transferências diretas.

"Para cada real que o estado contribui, a União contribui com um real também", explicou o secretário.

O prazo da proposta segue até 31 de maio, alinhado a outras ações já anunciadas, como a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel. A equipe econômica pretende monitorar os efeitos semanalmente antes de decidir pela continuidade ou não das medidas.

A proposta foi apresentada no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne secretários estaduais. Não houve consenso entre os participantes, e os representantes levarão o tema aos governadores. A decisão final está prevista para reunião no dia 27 de março, em São Paulo.

Segundo Durigan, a discussão não envolve a retirada do ICMS de toda a cadeia de combustíveis. Ele apontou que o principal desafio está na importação de diesel, afetada pela defasagem entre preços internos e externos em razão do cenário internacional.

"Nós não estamos discutindo, muito menos impondo que se retire o ICMS de toda a cadeia de combustíveis que os estados arrecadam. Há um desafio hoje em razão da guerra da importação de diesel. O Brasil tem de importar 27% do diesel consumido no Brasil, e a importação tem se descasado do preço interno por conta a guerra, do brent, do frete e do seguro. O que tem dificultado fechar os contratos de importação", afirmou Durigan.

O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) informou, em nota divulgada nesta terça-feira, que uma nova redução do imposto pode comprometer a capacidade de financiamento de políticas públicas estaduais.

"Iniciativas voltadas à redução de preços devem considerar também seus efeitos sobre o financiamento de políticas públicas essenciais mantidas por estados e municípios, como saúde, educação, segurança pública, transporte e infraestrutura", disse a Comsefaz no comunicado.

O governo federal também solicitou maior atuação dos estados na fiscalização dos preços, com o objetivo de reduzir os impactos do aumento do petróleo sobre a população.

Medidas Federais buscam compensar impacto fiscal

Na semana anterior, o governo anunciou a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel. A estimativa oficial indica uma redução de aproximadamente R$ 0,32 por litro no preço do combustível. A medida tem impacto fiscal estimado em R$ 6,7 bilhões em quatro meses.

Também foi instituída uma subvenção temporária para produtores e importadores, com impacto estimado no mesmo valor por litro. Na prática, o efeito combinado pode atingir redução de até R$ 0,64 no preço final.

O governo determinou que o benefício seja repassado ao consumidor, com fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e exigência de transparência nos postos de combustíveis.

Para equilibrar as contas públicas, o pacote inclui a criação de um imposto temporário sobre a exportação de petróleo bruto e diesel. A estratégia busca conter exportações em um cenário de preços elevados e gerar arrecadação. A equipe econômica projeta que essa receita, somada ao aumento de royalties, possa compensar o impacto fiscal das medidas adotadas.

Governo reage à ameaça de greve dos caminhoneiros

O governo anunciou nesta quarta-feira, 18, um pacote de medidas para tentar evitar uma greve nacional de caminhoneiros, anunciada na tarde desta terça-feira, após a insatisfação da categoria com o preço do diesel e o descumprimento do frete mínimo.

As ações foram apresentadas pelo Ministério dos Transportes e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e têm como foco ampliar a fiscalização e endurecer punições contra empresas que pagarem abaixo do piso.

O principal eixo do pacote é o reforço da fiscalização do frete mínimo, com maior uso de tecnologia e cruzamento de dados.

Entre os pontos centrais estão:

  • Ampliação do monitoramento eletrônico das operações de transporte
  • Uso mais intensivo do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot)
  • Cruzamento automático de dados de frete, documentos fiscais e pagamentos
  • Identificação em larga escala de contratos abaixo do valor mínimo
  • Aplicação de punições mais rígidas para empresas reincidentes

A fiscalização deixa de depender majoritariamente de ações presenciais e passa a atuar de forma automatizada, aumentando a capacidade de detectar irregularidades.

Entenda medidas anunciadas pelo governo para evitar greve dos caminhoneiros

*Com informações da Agência O Globo.

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