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Por fundão e orçamento, Centrão prioriza Congresso em vez do Planalto, diz cientista política

Maria do Socorro, professora da UFSCar, afirma que controle de recursos e busca por bancadas maiores ajudam a explicar neutralidade do Centrão e falta de coligação de Flávio Bolsonaro

Eleições 2026: Congresso fortalecido explica dificuldade de Flávio Bolsonaro (Leandro Fonseca/Exame)

Eleições 2026: Congresso fortalecido explica dificuldade de Flávio Bolsonaro (Leandro Fonseca/Exame)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 9 de agosto de 2026 às 08h00.

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A decisão dos principais partidos do Centrão de não apoiar uma candidatura à Presidência reflete uma mudança na lógica de poder entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Para Maria do Socorro Souza Braga, professora de Ciência Política da UFSCar, as siglas passaram a dar mais peso à eleição de deputados e senadores e ao controle dos recursos associados às bancadas.

“O protagonismo do Congresso e a retenção do controle orçamentário inverteram a lógica de poder”, afirma em entrevista à EXAME.

A avaliação ajuda a explicar a dificuldade enfrentada por Flávio Bolsonaro (PL) para atrair partidos da centro-direita. Após semanas de articulação, PP, União Brasil, MDB, Republicanos e Podemos optaram pela neutralidade na disputa presidencial. Sem conseguir incorporar outra legenda à candidatura, Flávio escolheu o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice e formou uma chapa “puro-sangue”.

A neutralidade nacional, porém, não significa distância das candidaturas nos estados. Quadros desses partidos apoiam Flávio, enquanto outros se aproximam do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo no Nordeste.

Para Maria do Socorro, o comportamento revela um “pragmatismo eleitoral voltado à ampliação de bancadas no Congresso em detrimento de uma unificação em torno do Palácio do Planalto”.

Ao manter a neutralidade, os partidos preservam margem para acordos estaduais distintos e evitam vincular nacionalmente suas estruturas e recursos a uma única candidatura presidencial.

O resultado aparece na própria composição das chapas. Das 13 candidaturas à Presidência, apenas a de Lula reúne partidos diferentes; as outras 12 são “puro-sangue”.

Na avaliação da cientista política, a fragmentação tende a beneficiar candidatos que já possuem estrutura e capilaridade nacional, como Lula e Flávio, enquanto dificulta a construção de palanques para quem depende de alianças para ampliar sua presença nos estados.

Leia a entrevista completa com Maria do Socorro Souza Braga, professora de Ciência Política da UFSCar

O que a predominância de chapas “puro-sangue” e a neutralidade de partidos do Centrão e da direita tradicional revelam sobre a capacidade da centro-direita de construir uma candidatura nacional unificada?

A predominância de chapas "puro-sangue" e a neutralidade de siglas do Centrão e da direita tradicional revelam a fragmentação da centro-direita, a prioridade dada ao controle de recursos legislativos e o pragmatismo eleitoral voltado à ampliação de bancadas no Congresso em detrimento de uma unificação em torno do Palácio do Planalto.

O protagonismo do Congresso e o controle de recursos orçamentários ajudam a explicar essa dificuldade de formar alianças nacionais? Até que ponto pesam, nesse cenário, as disputas por bancadas, recursos e protagonismo partidário?

O protagonismo do Congresso e a retenção do controle orçamentário inverteram a lógica de poder: o Planalto e as candidaturas presidenciais perderam o peso de atração que exerciam sobre os partidos.Os dirigentes partidários priorizam eleger maiores bancadas na Câmara e no Senado para assegurar fatias robustas do fundo eleitoral e maior poder de barganha orçamentária. As disputas por protagonismo, preservação de identidade partidária e divisão de recursos financeiros superam eventuais convergências programáticas no campo da centro-direita.

Esse cenário de fragmentação favorece candidaturas que já possuem bases eleitorais consolidadas, como Lula e nomes do campo bolsonarista? E quais são os efeitos da falta de coligações nacionais sobre os palanques e as alianças estaduais?

O cenário de voo solo e fragmentação da oposição favorece candidaturas consolidadas e com capilaridade nacional preexistente, como as de Lula e de nomes do campo bolsonarista. A falta de coligações nacionais debilita a capilaridade de palanques no interior e compromete a coordenação de tempo de propaganda eleitoral, embora acordos estaduais pragmáticos sigam ocorrendo de forma descentralizada conforme a conveniência regional de cada sigla.

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