Ameaçado, Ricardo Salles diz: o cargo não é meu, é do presidente

Desde o começo do ano, a sustentabilidade e preservação do Meio Ambiente dominaram a pauta de negócios, enquanto o Brasil registrou recordes de desmatamento

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se mostrou tranquilo com a pressão que vem sofrendo para deixar o cargo que ocupa no governo Bolsonaro. Em entrevista à GloboNews, na manhã desta quarta-feira (15), ele afirmou que vai continuar na pasta enquanto o presidente Jair Bolsonaro quiser e priorizará o projeto da bioeconomia - uso dos recursos naturais da região da Amazônia.

"O cargo não é meu. É do presidente da república", declarou o ministro à emissora. "Quando o presidente entender que é necessário me substituir, fará com a maior tranquilidade. Enquanto ele entender que eu estou fazendo um bom trabalho, fico no cargo", acrescentou.

Salles tem seu posto ameaçado no momento em que a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade entraram com tudo na agenda de negócios. Desde o Fórum Econômico Mundial, em Davos, no início do ano, a questão da preservação já tinha dominado a pauta. No entanto, o que se viu nesse período foi recorde de desmatamento pelo Brasil.

Em outro ponto polêmico de sua gestão, em um vídeo de uma reunião ministerial, Salles tinha sugerido aproveitar que a pandemia do novo coronavírus tinha dominado as atenções da imprensa para "passar a boiada", o que foi entendido como aproveitar para aprovar medidas pouco populares para a Amazônia.

Recentemente, dezenas de empresários tiveram encontros com o governo, pedindo maior atenção ao meio ambiente, por que já estão sofrendo pressão de investidores estrangeiros em seus negócios. Alguns até cogitam boicotar produtos brasileiros.

Na entrevista à GloboNews, Salles criticou administrações anteriores do ministério, defendeu a bioeconomia, o zoneamento ecológico econômico e regulação latifundiária como maneiras de desenvolver a Amazônia.

"Não temos arrogância de dizer que o governo não pode alterar políticas e que não pode consertar o rumo do que está sendo feito", declarou.

"A Amazônia, antes do presidente Bolsonaro, já tinha diversos problemas. Depois de 2012, o desmatamento veio subindo ininterruptamente e se acelerou em 2017, 2018, 2019, quando a cobertura internacional também se acelerou muito", declarou.

"Para colocarmos nossa agenda à frente, é preciso de pilares, fiscalização é um deles, mas outros precisam ser feitos, como regulação latifundiária, zoneamento econômico ecológico e a agenda da bioeconomia", disse.

"A política que se aplicou na Amazônia nos últimos 20 anos, não trouxe a população a um nível de vida adequado. Continua sendo a região mais rica do país em recursos naturais, mas com pior IDH. Deixar 20 milhões de brasileiros com baixo IDH é convite à ilegalidade, como o garimpo ilegal e a grilagem", argumentou

Sobre o zoneamento, Salles disse que "para aplicar o Código Florestal, é preciso que uma área tenha um CPF, um CNPJ para responder por ela", encerrou.

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