Bandeira do Irã cobre parcialmente prédio atingido por míssil israelense em Teerã (ATTA KENARE /AFP)
Redação Exame
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 10h12.
A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 25% a países que façam negócios com o Irã acendeu um alerta para o comércio exterior brasileiro. Em 2025, o Brasil registrou cerca de R$ 16,16 bilhões em transações comerciais com o país persa na cotação atual.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), a corrente de comércio entre os dois países soma US$ 3 bilhões, com superávit de US$ 2,8 bilhões para o Brasil. As importações iranianas pelo mercado brasileiro chegam a US$ 84,6 milhões.
As exportações brasileiras para a República Islâmica são concentradas em produtos do agronegócio. Milho responde por 67,9% das vendas, seguido por soja, com 19,3%.
Do lado das importações, o Brasil compra principalmente adubo, que representa 79% do total, além de frutas e nozes, com 11%.
O Irã ocupa a 31ª posição no ranking de principais destinos das exportações brasileiras e a 82ª colocação entre os países de origem das importações.
Em 2024, as vendas para Teerã consolidaram o país persa como o quinto maior destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, segundo o MDIC.
Desde 2024, o Irã também integra o Brics, bloco fundado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, que hoje inclui ainda Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia.
A nova ameaça de Trump foi anunciada na segunda-feira, 12. O presidente americano afirmou que aplicará uma tarifa de 25% sobre produtos de países que fecharem negócios com o Irã, aumentando a pressão sobre o governo iraniano em meio a protestos espalhados por diversas regiões do país.
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump declarou que a decisão é definitiva e que as tarifas podem entrar em vigor imediatamente. Até o momento, não há documentos oficiais que detalhem o alcance ou os critérios da medida.
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível”, afirmou o presidente no texto divulgado.
O anúncio ocorre em um contexto de instabilidade interna no Irã, com protestos registrados desde 28 de dezembro, em meio a um cenário de inflação elevada, repressão estatal e aumento das tensões geopolíticas, que recolocam o regime do aiatolá Ali Khamenei no centro das atenções internacionais.
Ainda não há clareza sobre o que o governo americano considera como “fazer negócios com o Irã”.
Os principais parceiros comerciais de Teerã incluem China, Turquia e Índia. Em ocasiões anteriores, a administração Trump impôs tarifas de até 50% sobre produtos indianos em resposta à compra de petróleo russo.
Uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias chinesas também é citada como possibilidade e pode afetar o acordo firmado entre Washington e Pequim no final do ano passado, ampliando o impacto global da nova ofensiva comercial dos Estados Unidos.
*Com informações do Globo