Brasil

Acordo entre Vaticano e Brasil visava acalmar católicos

O acordo que rege as relações entre o Vaticano e o Brasil teria sido feito entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Bento XVI por motivos eleitoreiros


	Segundo o embaixador do Brasil na Santa Sé, Lula prometeu a Bento XVI, durante sua passagem pelo Brasil, que o tratado seria assinado e ratificado durante o seu governo
 (Filippo Monteforte/AFP)

Segundo o embaixador do Brasil na Santa Sé, Lula prometeu a Bento XVI, durante sua passagem pelo Brasil, que o tratado seria assinado e ratificado durante o seu governo (Filippo Monteforte/AFP)

DR

Da Redação

Publicado em 25 de fevereiro de 2013 às 09h37.

Genebra - O acordo que rege as relações entre o Vaticano e o Brasil, conhecido como concordata, teria sido feito entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Bento XVI por motivos eleitoreiros e também como uma estratégia do PT para "acalmar os católicos", diante de sua aproximação com grupos evangélicos. Hoje, o tratado é alvo de uma ação no Supremo Tribunal Federal por inconstitucionalidade.

A sinalização dessa intenção teria sido feita pelo vereador José Américo (PT), atual presidente da Câmara Municipal de São Paulo, em uma conversa colhida por diplomatas americanos sobre o "difícil equilíbrio" que o PT tem sido obrigado a promover na busca pelo apoio de evangélicos e de católicos.

Essas informações constam de um telegrama enviado pelo Consulado-Geral dos Estados Unidos em São Paulo a Washington no dia 9 de novembro de 2009. Esse documento é um dos mais de 130 telegramas vazados pelo site WikiLeaks e obtidos com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Ao fazer uma avaliação do governo Lula e do PT, a diplomacia americana aponta para as relações do partido com os eleitores cristãos. "O PT parece estar colocando em prática uma estratégia religiosa", indicou. "Nos últimos anos, o PT trabalhou de forma cuidadosa para equilibrar seus atos tanto com apoiadores da Igreja Católica quando com as novas e emergentes igrejas evangélicas", diz o documento.


Segundo o telegrama, o apoio que o PT recebia de parte dos católicos brasileiros era "histórico". "Mas, na medida em que o partido foi ganhando apoio entre os evangélicos, a Igreja Católica esfriou suas relações com o PT". "O vereador do PT de São Paulo, José Américo, citou a recente concordata assinada entre Lula e o Vaticano como uma manobra-chave, estratégica para acalmar os católicos", continua.

Segundo o embaixador do Brasil na Santa Sé, Almir Franco de Sá Barbuda, Lula prometeu a Bento XVI, durante sua passagem pelo Brasil, em 2007, que o tratado seria assinado e ratificado durante o seu governo, o que acabou ocorrendo. Naquela visita, porém, o então chanceler Celso Amorim optou por viajar ao Canadá, num sinal interpretado pelo Vaticano como uma rejeição do ministro ao acordo.

Mobilização

Outro assunto que a diplomacia americana aborda, a respeito da estratégia do PT para manter seus apoios, é a utilização de jovens padres para mobilizar o eleitorado. "Américo também apontou para a potencial influência política dos católicos carismáticos, muitas vezes representados por jovens padres que cantam e são apresentadores com talento, e para um forte potencial para mobilizar votos para o PT", afirma o texto.

Acompanhe tudo sobre:PT – Partido dos TrabalhadoresPolítica no BrasilPartidos políticosPaíses ricosReligiãoIgreja CatólicaVaticano

Mais de Brasil

MP de São Paulo afirma que vai apurar superlotação em bloco de carnaval na Consolação

Anvisa alerta para risco de pancreatite por uso de canetas emagrecedoras sem prescrição médica

Motta diz que iniciará tramitação de PEC que acaba com a escala 6x1

É inadmissível qualquer vazamento por mineração em Minas, diz Zema