A greve e a guerra de versões

A sexta-feira foi dia de greve geral convocada por centrais sindicais contra as reformas trabalhista e da Previdência. Serviços de diversas cidades do país, principalmente capitais, foram prejudicados, em especial o transporte público e as escolas — inclusive algumas particulares. A questão que fica, com os protestos que ainda se desenrolam em alguns pontos específicos, é qual será a consequência imediata para governo e para a oposição.

A guerra de versões já começou. O presidente Michel Temer decidiu, no final da tarde, divulgar uma nota para condenar a violência nos protestos. Ao longo do dia, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, classificou os atos como “um fracasso” e “pífios”. Houve confronto em diversas cidades, mas as principais cenas lamentáveis aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo. No Rio, houve enfrentamento entre a polícia e os manifestantes, que atearam fogo em veículos. Temer chegou a cogitar fazer um pronunciamento, mas decidiu pela comunicação escrita. Ele deve usar o discurso de baixa adesão para pressionar parlamentares a votar a favor das reformas, alegando que não há mais a desculpa da pressão popular crescente.

As centrais sindicais, por sua vez, disseram que a greve é a maior da história do país. O presidente da Força Sindical, deputado Paulinho da Força, afirmou que 40 milhões de pessoas não foram ao trabalho, enquanto a Frente Brasil Popular estima o número em 35 milhões. Durante a tarde, Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Sem-Teto, disse que “se o governo e o Congresso não entenderem o recado das ruas, isso vai agravar o conflito, alargar abismo”, o que ocasionaria “ações mais contundentes”. Boulos disse ainda que Serraglio não tem moral para avaliar as greves.

Agora à noite, os manifestantes se dirigem à casa do presidente Michel Temer, no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo. A PM, no entanto, pediu para que o ato seja encerrado antes e disse que o acesso à região estará bloqueado.

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