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Nestlé fecha parceria com o BB para oferecer R$ 100 milhões para produtor de leite

Estratégia da companhia é escalar programa de agricultura regenerativa na cadeia pecuária

Fazenda Santa Cruz: credito será liberado para mil produtores de leite do Brasil ampliarem agricultura regenerativa (Nestlé/Divulgação)

Fazenda Santa Cruz: credito será liberado para mil produtores de leite do Brasil ampliarem agricultura regenerativa (Nestlé/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 21 de outubro de 2025 às 06h05.

A Nestlé anunciou nesta terça-feira, 21, uma parceria com o Banco do Brasil para disponibilizar R$ 100 milhões aos produtores de leite. A iniciativa visa ampliar o programa de agricultura regenerativa Nature por Ninho para cerca de mil produtores participantes do projeto.

"Esse valor de R$ 100 milhões ainda tem grande potencial de crescimento, mas já representa um montante que vai realmente ajudar os produtores a realizar os investimentos necessários. Acelerar a transformação da cadeia do leite é parte central da nossa estratégia", afirma Bárbara Sollero, head de agricultura regenerativa da Nestlé.

O Nature por Ninho integra os planos da empresa de neutralizar as emissões de suas operações, incluindo cadeias de fornecimento, até 2050, com metas intermediárias de redução de 20% até 2025 e 50% até 2030. No Brasil, a iniciativa se apoia em três pilares: agricultura regenerativa, circularidade e bioeconomia.

Segundo Sollero, a ideia é oferecer crédito aos agricultores interessados em implementar práticas de agricultura regenerativa por meio de linhas competitivas, com taxas de juros subsidiadas, similares do Plano Safra, variando entre 8% e 12%.

O crédito será liberado com base na análise do banco e no planejamento técnico da Nestlé, garantindo que os recursos sejam aplicados em melhorias produtivas e sustentáveis.

A escolha pelo Banco do Brasil, explica Sollero, foi natural, já que a instituição é a principal fornecedora de crédito para o setor agropecuário.

"O Banco do Brasil tem, historicamente, esse reconhecimento no agro, como no próprio Plano Safra, e foi nesse contexto que conseguimos acelerar o modelo. Foi um casamento que funcionou muito bem", diz.

Cacau e café na Nestlé

Embora o plano inicial seja oferecer crédito para a cadeia pecuária, Sollero afirma que a Nestlé também avalia outros produtos, como café e cacau. A ideia, segundo a executiva, é levar aos produtores soluções que melhor se encaixem em sua realidade.

“Precisamos ser criativos, pois os parceiros que fornecem o café verde são as traders, e, no caso do cacau, são as moageiras. É necessário fazer essas triangulações para conseguir levar o benefício até a ponta. Sem dúvida, isso é um ponto de atenção, pois representa um gargalo para implementar a agricultura regenerativa em escala”, diz.

Na cadeia do leite, a Nestlé atua diretamente com o agricultor na compra da matéria-prima. Segundo Sollero, a companhia compra o produto diretamente e emite a nota fiscal também diretamente para o produtor.

“Isso facilita as negociações e garante um acesso mais direto. Por conta disso, há a vantagem de começar o projeto de crédito por essa cadeia”, afirma.

De 2025 a 2027, a Nestlé planeja investir R$ 150 milhões na cadeia do leite, incluindo projetos destinados a apoiar os produtores na transição para práticas sustentáveis.

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