3Tentos: Na terça-feira, os papéis recuaram em meio a rumores de mercado sobre uma reunião entre executivos da 3tentos e analistas do sell side, na qual a empresa teria revisado para baixo suas projeções — a companhia não comentou as especulações.
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 29 de julho de 2026 às 11h19.
Última atualização em 29 de julho de 2026 às 11h26.
A 3tentos começou 2026 como uma das principais apostas dos bancos para o agronegócio, apoiada na expansão industrial, no crescimento dos volumes e na entrada no mercado de etanol de milho. Sete meses depois, a empresa enfrenta seu maior teste no curto prazo, com margens pressionadas, revisão das projeções e uma queda de 16% das ações no pregão de terça-feira, 28.
Para o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), porém, a reação do mercado foi exagerada. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, 29, o banco afirmou que a piora esperada para o segundo trimestre — cujos resultados serão divulgados em 13 de agosto — está concentrada no processamento de soja e não representa uma deterioração estrutural dos negócios.
Nesse cenário, o BTG manteve a recomendação de compra para as ações e o preço-alvo de R$ 26. Considerando a cotação de R$ 12,80 usada no relatório, o potencial de valorização é de 103,1%. Com os dividendos estimados, o retorno total projetado chega a 104,5%.
"Um trimestre ruim não significa uma tese quebrada", afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla. Para eles, a queda recente das ações passou a embutir uma deterioração permanente da rentabilidade que ainda não encontra respaldo nos fundamentos da companhia.
Na terça-feira, os papéis da companhia recuaram em meio a rumores de mercado de que executivos da 3tentos teriam discutido com analistas do sell side uma revisão das projeções da empresa — a companhia não comentou as especulações.
Segundo levantamento de Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, a queda de 16% das ações eliminou cerca de R$ 1,22 bilhão do valor de mercado da companhia em um único pregão, reduzindo seu valor para R$ 6,40 bilhões na B3. No acumulado do ano, os papéis recuam 21,5%, e a perda de valor de mercado desde o fim de 2025 soma aproximadamente R$ 1,75 bilhão.
A avaliação do BTG é de que o principal foco de pressão está na divisão industrial, responsável pelo processamento de soja para produção de biodiesel e farelo.
O banco estima que o lucro bruto unitário do segmento fique em R$ 372 por tonelada no segundo trimestre, queda de 24% em relação ao primeiro trimestre e de 38% na comparação anual. A margem bruta industrial deve recuar para 14,6%, refletindo principalmente os preços mais baixos do biodiesel.
Segundo o relatório, a contribuição implícita do esmagamento de soja caiu de cerca de R$ 550 para R$ 500 por tonelada ao longo do período. Como a contração esperada para a 3tentos é mais intensa do que a indicada pelos spreads do setor, o BTG reduziu em aproximadamente R$ 100 milhões sua estimativa de lucro bruto para a companhia.
Os analistas afirmam que diferenças regionais de preços e estratégias de hedge podem gerar descasamentos entre as margens implícitas do mercado e os resultados efetivamente reportados pelas empresas.
Os analistas lembram que a rentabilidade da divisão industrial da 3tentos já apresentou oscilações semelhantes em outros momentos, o que reforça a avaliação de que a pressão atual não representa uma mudança estrutural do negócio.
Para o segundo trimestre, o BTG projeta receita líquida de R$ 4,01 bilhões, alta de 13% na comparação anual. O Ebitda ajustado deve cair 37%, para R$ 115 milhões, levando a margem para 2,9%, enquanto o lucro líquido ajustado é estimado em R$ 39 milhões, recuo de 63%.
Apesar da pressão sobre a divisão industrial, o BTG vê um desempenho mais resiliente nas demais operações.
O varejo de insumos deve crescer 23% na comparação anual, enquanto a comercialização de grãos tende a registrar volumes recordes de soja, impulsionada pelas safras do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul.
A operação de etanol de milho, por sua vez, começa a ganhar relevância e reforça uma das principais frentes de expansão da companhia.
Foi essa combinação que levou a 3tentos a figurar entre as principais apostas dos bancos no início do ano. Em janeiro, o BTG classificou a empresa como sua Top Pick no agronegócio entre as small caps, enquanto o Santander manteve recomendação de compra, elevou o preço-alvo para R$ 20 e revisou sua projeção de Ebitda para 2026 para R$ 1,7 bilhão.
O cenário de curto prazo, no entanto, levou o BTG a revisar suas projeções. O banco reduziu a estimativa de Ebitda de 2026 em 15,4%, para R$ 1,45 bilhão, e a de lucro líquido para R$ 770 milhões.
Para 2027, a projeção de Ebitda passou para R$ 1,84 bilhão, indicando que o banco continua vendo a pressão sobre as margens como um evento conjuntural, e não uma mudança na tese de investimento.
Às 10h45, as ações da 3tentos caíam 3,98%, negociadas a R$ 12,29.