Café dispara em Nova York com novo risco de geada no Brasil

Na quarta, a frente fria avançará para São Paulo e Minas Gerais e pode atingir as lavouras de café arábica em Mogiana e Sul de Minas
 (Boy_Anupong/Getty Images)
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Por Por Marvin G. Perez e Tatiana Freitas (Bloomberg)Publicado em 16/05/2022 15:28 | Última atualização em 16/05/2022 15:28Tempo de Leitura: 3 min de leitura
Os preços do café arábica subiram e o açúcar ampliou os ganhos da semana passada após ameaças climáticas aumentarem para as safras no Brasil, de longe o maior fornecedor mundial de ambos.

As regiões agrícolas do país enfrentam temperaturas baixas nesta semana a partir de terça-feira, nas áreas de café e milho do Paraná, segundo Celso Oliveira, meteorologista da Climatempo.

Na quarta, a frente fria avançará para São Paulo e Minas Gerais e pode atingir as lavouras de café arábica em Mogiana e Sul de Minas. As temperaturas médias vão variar de zero a 3 graus, de acordo com a Climatempo.

Para causar grandes danos, as temperaturas devem cair para cerca de 2 graus ou menos por mais de duas horas. Há uma divergência entre os modelos climáticos, com um deles sinalizando geadas mais ao norte, como no Mato Grosso, disse Oliveira.

“O risco é muito baixo” de grandes geadas em áreas de cana, e para o café a ameaça é apenas para terras altas em “alguns pontos” no Paraná ou Minas Gerais, disse Donald Keeney, meteorologista da Maxar Technologies. Minas é o maior estado produtor de café e São Paulo é o líder mundial em cana-de-açúcar e laranja.

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O café arábica para entrega em julho chegou a subir 5,8% em Nova York na segunda-feira. Os preços subiram 55% no ano passado após geadas severas em julho reduziram as colheitas do país e reduziram o potencial para 2022.

“As pessoas estão assustadas porque estão pensando no que aconteceu no ano passado”, disse Hernando de la Roche, vice-presidente sênior da StoneX Financial em Miami.

O açúcar também sofre pressão de alta dos preços da gasolina, que aumentam o incentivo para exportadores produzirem mais etanol.

A trading de commodities Louis Dreyfus alertou que uma maior demanda por etanol pode reduzir a produção de açúcar na América do Sul e que apenas preços mais altos podem evitar a escassez mundial.

O açúcar subiu até 2,8% em Nova York em sua quarta sessão consecutiva de alta. Os futuros de suco de laranja e algodão também saltaram. O Brasil é o segundo maior exportador de algodão depois dos EUA, e primeiro lugar em suco de laranja.

As plantações de algodão no Texas, o maior estado produtor dos EUA, não terão alívio e secas severas a extremas nos próximos 10 dias, e as condições provavelmente piorarão com o calor perto de 40 graus, disse Keeney, da Maxar. Partes da Geórgia também estão muito secas, assim como as regiões ao redor do Delta do Mississippi, disse.

A longo prazo, a previsão mostra que as áreas do Texas permanecerão sob pressão nos próximos meses, muito secas, embora as temperaturas possam não ser tão quentes, disse.

Por Marvin G. Perez e Tatiana Freitas (Bloomberg)

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