Grão de Café: Varginha é a maior exportadora de café de Minas Gerais. (Apuí Agroflorestal/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 11h34.
Varginha, no sul de Minas Gerais, voltou ao debate público nesta terça-feira, 6, com a estreia da mini-série documental "O Mistério de Varginha".
A produção da TV Globo revisita um dos casos ufológicos mais conhecidos do Brasil, ocorrido em 1996 no Sul de Minas Gerais.
Mas para além do famoso caso do ET de Varginha, a cidade também se destaca na produção agropecuária e na indústria.
Com 136 mil habitantes, o município tem o quarto maior PIB do Sul do estado, que chegou a R$ 8 bilhões em 2023, segundo dados divulgados pela Fundação João Pinheiro.
Varginha tem no café seu principal produto exportado, que movimentou quase US$ 2 bilhões entre janeiro e setembro de 2025.
Ela foi a líder no ranking de exportações de Minas Gerais em 2025, seguida por Guaxupé, Araxá, Paracatu e São Gonçalo do Rio Abaixo, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
Cidades do Sul de Minas se destacam à frente de outros polos tradicionais de exportação do estado, como Araxá, que comercializa ferro-ligas, Paracatu, com exportação de ouro, e São Gonçalo do Rio Abaixo, que lidera na venda de minério de ferro.
A consolidação de Varginha como principal polo cafeeiro do país em 2025 está ligada a uma infraestrutura produtiva, técnica e logística construída ao longo de décadas. Ou seja, a dominância é recente, mas os cafezais são antigos.
Atualmente, a cidade comercializa cerca de 25 milhões de sacas de café por ano, tem capacidade de armazenamento para 10 milhões de sacas e potencial de rebenefício que chega a 30 milhões, segundo dados da cooperativa Minasul.
Essa estrutura sustenta a atuação de grandes empresas globais, como Louis Dreyfus, Volcafé, Mercon, Sucafina, Cofco, Olam e Stockler (grupo NKG), que mantêm operações no município.
Outro ativo estratégico é o Porto Seco Sul de Minas, sediado em Varginha, que funciona como terminal alfandegado com soluções integradas de armazenagem, despacho aduaneiro e transporte.
A operação permite maior controle, rastreabilidade e redução de custos logísticos para exportadores. Em 2020, o terminal respondeu pela exportação de aproximadamente 700 mil sacas de café.
Varginha também abriga instituições-chave para o setor, como a Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), responsável pela promoção dos cafés especiais brasileiros. A atuação da entidade atrai compradores internacionais, pesquisadores e profissionais do mercado, além de desenvolver certificações e programas.
Complementam esse ecossistema o Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), voltado à articulação de negócios e eventos técnicos, e a Fundação Procafé, referência nacional em pesquisa e inovação aplicada à cafeicultura.
Varginha está em uma região central para o setor cafeicultor brasileiro. O Sul de Minas é responsável por cerca de 25% da produção do grão no país e movimenta, em média, R$ 10 bilhões por ano com a atividade cafeeira.
A região concentra 22 milhões de sacas anuais, superando outros polos tradicionais do estado, como a Zona da Mata e o Triângulo Mineiro.
Segundo a Fundação João Pinheiro, a Região Geográfica Intermediária de Varginha — formada por 82 municípios e com população estimada em 1,6 milhão de habitantes — tem no café o principal item de sua pauta externa.
Entre 2010 e 2019, o produto representou, em média, 86% das exportações regionais. Em 2019, a região respondeu por 10,9% das exportações de Minas Gerais, a terceira maior participação do estado.
Varginha e Guaxupé concentraram, juntas, 74,4% das exportações da Região Geográfica Intermediária, com predominância absoluta do café.
Fundada em 1882, Varginha teve sua trajetória econômica diretamente ligada à expansão da cafeicultura no Brasil.
O marco inicial desse processo foi a chegada da estrada de ferro em 1892, que conectou o município aos principais centros urbanos e portos exportadores. A ferrovia viabilizou o escoamento do café produzido nas áreas vizinhas e consolidou a cidade como ponto estratégico na rota do chamado “ouro verde”.
A formação econômica também foi impulsionada pela chegada de imigrantes a partir de 1888, especialmente italianos, além de portugueses, espanhóis, turcos e alemães.
No início do século XX, Varginha já contava com 113 estabelecimentos de beneficiamento de café, evidenciando a rápida transição de um núcleo agrícola para um centro de processamento.
Com o avanço da industrialização a partir da década de 1970, a cidade diversificou sua base produtiva, fortalecendo os setores industrial e de serviços.
Ainda assim, o café manteve papel central, agora com maior peso no beneficiamento, na torrefação e na exportação do que na lavoura local.