Durante a análise, os astrônomos perceberam que 70% das estrelas não estavam na fase final de queima nuclear com perda de massa (ESO/Divulgação)
Da Redação
Publicado em 3 de junho de 2013 às 16h00.
São Paulo – Novas observações feitas com o telescópio VLT (Very Large Telescope), do Observatório Europeu do Sul (ESO), mostram que a teoria da evolução das estrelas pode estar incorreta. Ao contrário do que se pensava, 70% das estrelas não perdem massa no final da vida.
Os astrônomos esperam que estrelas como o Sol percam a maior parte das suas atmosferas para o espaço no final de suas vidas. O modo como as estrelas evoluem foi um processo considerado bem compreendido durante muitos anos.
Segundo modelos computacionais, estrelas com massa semelhante à do Sol passam por uma fase no final das suas vidas em que há uma queima de combustível nuclear. Grande parte da massa das estrelas é perdida na forma de gás e poeira.
O material expelido é usado para formar uma nova geração de estrelas. O processo fornece material necessário à formação de planetas e contém ingredientes necessários à vida orgânica. Portanto, este ciclo de perda de massa e renascimento explicaria a evolução química do Universo.
Mas as novas observações mostraram que a maioria das estrelas não chega a esta fase de evolução, o que questiona teorias até então consolidadas. O australiano especialista em teorias estelares Simon Campbell (Monash University Centre for Astrophysics) e sua equipe estudou a radiação emitida pelas estrelas do aglomerado estelar NGC 6752, situado na constelação austral do Pavão.
Esta enorme bola de estrelas antigas tem duas gerações de estrelas que se distinguem pela quantidade de sódio que contêm. A quantidade de sódio presente nas estrelas permite prever com precisão como estes objetos terminarão suas vidas.
Durante a análise, os astrônomos perceberam que 70% das estrelas não estavam na fase final de queima nuclear com perda de massa. Segundo Campbell, isso significa que os modelos estelares estão incompletos e devem ser corrigidos.