Tecnologia

Recuo da Meta em realidade virtual é falso, diz Palmer Luckey, parceiro de Zuckerberg

Empresa demitiu mais de mil pessoas após encerrar as atividades de três estúdios da Reality Labs; fundador da Oculus diz que decisão "não é um desastre"

Palmer Luckey, fundador da Oculus e da Anduril, ao lado de Zuckerberg (Anduril/Divulgação)

Palmer Luckey, fundador da Oculus e da Anduril, ao lado de Zuckerberg (Anduril/Divulgação)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 13h54.

O fechamento de três estúdios da Reality Labs e a demissão de mais de mil funcionários da Meta alimentaram especulações sobre o recuo da empresa na realidade virtual. Para Palmer Luckey, essa interpretação está errada.

Em uma série de publicações feitas no X na segunda-feira, 19, o fundador da Oculus diz que as demissões "não são um desastre" da estratégia da Meta no setor. Ele defende que a empresa segue empregando, com grande margem, a maior força de trabalho dedicada a VR no mundo.

"A narrativa de que a Meta está abandonando a realidade virtual é obviamente falsa; 10% de demissões representam, basicamente, seis meses de rotatividade normal concentrados em 60 dias, em termos estritamente numéricos", escreveu.

Demissões restabelecem equilíbrio no setor, defende Luckey

Luckey diz que o foco não deve ser no número de pessoas demitidas, e sim de onde elas foram retiradas: a maioria dos cargos estava ligada a conteúdo próprio, em estúdios internos da Meta, que competiam com desenvolvedores terceirizados. Para o fundador da Oculus, essa estratégia distorcia o ecossistema de VR.

"Não faz sentido que a Meta subsidie ​​fortemente a sua própria plataforma (com dinheiro, marketing, posicionamento, etc.) em detrimento do progresso técnico essencial e da estabilidade da plataforma", escreveu Luckey. "E excluir o resto do ecossistema, menos ainda", continuou.

Luckey pontuou que o financiamento da Meta a esses estúdios internos sufocava a competitividade e, consequentemente, a evolução do setor, uma vez que as equipes da empresa de Mark Zuckerberg contavam com orçamentos muito maiores que o resto do mercado.

O fundador da Oculus reconhece que teria sido preferível financiar estúdios como parceiros externos em vez de adquiri-los, "mas é fácil falar depois do ocorrido".

Apesar de reconhecer o impacto humano das demissões, ele defendeu que a redução do conteúdo próprio da Meta tende a ser positiva para a saúde do setor no longo prazo, tanto por liberar recursos para a própria Meta quanto para restabelecer o equilíbrio na disputa do setor.

Quem é Palmer Luckey?

Fundador da Oculus e atingo rival de Zuckerberg, Luckey foi um dos principais nomes durante a popularização da realidade virtual no início da década de 2010.

Em 2014, sua empresa foi comprada pelo então Facebook — hoje Meta — por cerca de US$ 2 bilhões, em uma das maiores apostas da companhia no setor.

Luckey deixou a Meta em 2017, mas segue próximo do mercado de VR. Ele é fundador da Anduril Industries, que desenvolve sistemas de defesa baseados em software, sensores e IA. Atualmente, a empresa tem uma parceria com a Mata para criar modelos avançados de realidade aumentada e realidade virtual para as Forças Armadas dos Estados Unidos.

Acompanhe tudo sobre:MetaRealidade virtualInteligência artificial

Mais de Tecnologia

Big Techs tentam driblar taxa de Trump para profissionais estrangeiros

Discord vai exigir verificação de idade para liberar conteúdo

Depois de duas décadas, Brasil se aproxima de ter foguete próprio

MrBeast quer ser o guru das finanças da geração alpha