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Streaming começa 2023 com cortes nas produções originais e caixa mais enxuto

No geral, o setor espera um crescimento de apenas 8% na receita frente à expansão de 25% em 2022

 (Netflix/Reprodução)

(Netflix/Reprodução)

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André Lopes

6 de janeiro de 2023, 12h39

O streaming, capitaneado pela Netflix, reinou no mercado de entretenimento por quase uma década sem abalos, no entanto, em 2023 o setor aponta para uma ligeira desaceleração de crescimento.

Segundo os analistas de mercado, as plataformas de streaming estão com as contas enfraquecidas frente ao boom que tiveram e agora moderam os orçamentos. Em simultâneo, os canais tradicionais, que também alimentam o streaming com conteúdo, refazem as contas de licenciamento e comissões, e deixam os catálogos mais caros.

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Dado o cenário, a previsão é de que em 2023 o crescimento geral dos gastos com conteúdo original caia de 6%, número visto no ano passado, para apenas 2% em 2023, de acordo com o grupo de pesquisa Ampere Analysis.

Fora do período pandemia, que congelou muitas das produções, trata-se da taxa de expansão mais baixa em mais de uma década, quando os gastos globais com produções para TV saltaram de US$ 128 bilhões para US$ 243 bilhões. No geral, todo o setor espera um crescimento de apenas 8% na receita frente à expansão de 25% em 2022.

No balanço, a Netflix, que responde por cerca de 25% investimentos com programas originais, afirma que manterá os gastos na casa dos US$ 17 bilhões por ano. Mas nem todas as empresas conseguem manter o patamar Netflix. Por isso, a queda deve vir de concorrentes como Disney, Paramount e Warner Bros., para os quais a previsão é de perdas mais significativas.

Segundo estima o Banco Morgan Stanley, os custos de conteúdo por assinante das outras plataformas será quase o dobro da Netflix, enquanto a receita por usuário será menor. Excluindo a Netflix, o Morgan Stanley estima que o streaming sofrerá perdas na casa dos US$ 10 bilhões em 2022.

A queda de receita deve atingir o pico por alguns desses serviços, em uma fase que os analistas chamam de ''ano de inflexão do streaming”, momento em que ficará claro que os custos de produção estão atingindo “níveis insustentáveis”.

“As plataformas de streaming estão aumentando os preços e cortando custos”, escreveram os analistas do Morgan Stanley em nota aos clientes. “Se esses movimentos não gerarem lucros significativos, vemos duas máximas: desistir e/ou consolidar”.

A fase nebulosa também entra na seara das assinaturas. Há a espectativa de que os usuários avaliem no início do ano quais apps continuaram com eles nos próximos meses.

Por isso, já sentido o revés ao perder quase 1 milhão de assinantes no segundo trimestre de 2022, a Netflix implementou um atrativo plano com anúncios, mais barato que o tradicional, e agora estuda proibir o compartilhamento de senhas. As concorrentes devem seguir no mesmo caminho.

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