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Startup multa em R$ 6 mil funcionários que falarem com colegas de férias

A solução extrema tenta abolir um comportamento que ganhou espaço nos escritórios

 (RainStar/Getty Images)

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Da redação

13 de janeiro de 2023, 14h44

Quando mensageiros como o Slack e Teams tomaram a rotina digital dos escritórios, e até o WhatsApp ganhou função de e-mail de trabalho, se tornou um pouco mais difícil se afastar do ofício fora do horário comercial. O problema, nos casos mais graves, se estende até no período de férias dos trabalhadores.

Para a startup indiana Dream Sports, que opera o jogo Dream 11, de esportes no estilo fantasy game, a solução para o incomodo mais extremo foi levada para um outro patamar: funcionários que contatarem seus colegas durante as férias por motivo de trabalho serão multados em US$ 1,2 mil (R$ 6 mil, na conversão em reais).

“Uma vez por ano, durante uma semana, você é expulso do sistema [da empresa]. Você não tem Slack, e-mails e ligações”, disse o fundador da empresa de 1 mil funcionários, Harsh Jain à CNBC, referindo-se ao período como um “desligar-se”.

Segundo Jain, a prática aumentou a produtividade dos funcionários e os tornou mais compenetrados no trabalho, no longo prazo. E a medida parece surtir efeito. Até o momento, nenhum empregado recebeu o desabono por atrapalhar um colega durante o descanso.

Trabalhar durante as férias é comum?

Mais da metade dos funcionários nos EUA dizem que trabalham pelo menos uma hora por dia durante as férias, de acordo com um relatório da Qualtrics, divulgado em março de 2022; 25% diz trabalhar pelo menos três horas por dia durante a folga anual.

As lideranças são apontadas como principais responsáveis pelo comportamento, com mais de 30% dos trabalhadores dos EUA dizendo que os empregadores esperavam que eles atendessem as ligações durante as férias.

Alguns governos até usaram a lei para fazer com que as empresas parassem de enviar mensagens para seus funcionários durante o período de folga.

Em 2017, a França concedeu aos trabalhadores o “direito de desconectar”, o que exigia que as empresas estabelecessem períodos em que os funcionários não seriam obrigados a enviar ou receber e-mails.

Espanha, Itália, Portugal, Alemanha e Escócia estabeleceram regras semelhantes que obrigam os empregadores a determinar quando os funcionários podem ficar livres de mensagens de trabalho.