Helion: startup de energia apoiada pela Microsoft se aproxima de objetivo
Colaboradora
Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 11h43.
Última atualização em 15 de fevereiro de 2026 às 16h17.
Uma startup de energia de fusão nuclear Helion anunciou um novo avanço na corrida para transformar esse tipo de tecnologia em uma fonte de energia comercial. A empresa informou que seu reator experimental, chamado Polaris, conseguiu aquecer o plasma — um tipo de gás superaquecido — a 150 milhões de graus Celsius.
Esse número representa cerca de 75% da temperatura considerada necessária para que a fusão nuclear se torne viável comercialmente. A meta é chegar a 200 milhões de graus Celsius. A Helion foi fundada no estado de Washington, nos Estados Unidos, e prometeu construir sua primeira usina de fusão até 2028.
O prazo é importante porque a empresa assinou um acordo com a Microsoft, que pretende usar a energia produzida pela usina a partir dessa data.
Ou seja, há um contrato comercial já firmado, o que aumenta a pressão para que o cronograma seja cumprido. O interesse no projeto também chamou atenção de investidores do setor de tecnologia. Sam Altman, CEO da OpenAI, participou de uma rodada de investimentos que levantou US$ 425 milhões. Com isso, o total investido na Helion desde sua fundação chegou a US$ 1 bilhão.
O reator Polaris usa uma mistura de deutério e trítio, que são versões diferentes do hidrogênio (chamadas de isótopos). Esses elementos são usados como combustível no processo de fusão, que tenta reproduzir na Terra a mesma reação que acontece no interior do Sol: a união de átomos leves para liberar grandes quantidades de energia, sem a emissão de gases de efeito estufa.
Segundo David Kirtley, CEO da Helion, os testes mostraram um aumento significativo na potência gerada na forma de calor. Ele afirmou que a empresa está animada por avançar antes de concorrentes como Type One Energy e Commonwealth Fusion Systems, que também receberam investimentos milionários.
A Helion adotou um modelo de reator diferente de outras empresas do setor. Para funcionar, o Polaris precisa que o plasma atinja temperaturas ainda mais altas do que as normalmente usadas em outros projetos de fusão.
O formato do equipamento lembra uma ampulheta. O combustível é colocado nas duas extremidades e transformado em plasma. Quando essas duas partes se encontram no centro do reator, ocorre a fusão. Ímãs muito potentes controlam e comprimem o plasma, fazendo a temperatura subir rapidamente — de 10 a 20 milhões de graus Celsius em apenas um milésimo de segundo.
A energia liberada nesse processo cria um pulso que movimenta os ímãs e gera uma corrente elétrica. Essa eletricidade é o objetivo final do projeto.
Apesar do avanço, o CEO afirma que a empresa mantém uma postura prática. Segundo ele, o foco não é apenas bater recordes científicos, mas conseguir gerar eletricidade de forma eficiente e comercializável.