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Samsung arrisca pouco com o novo Galaxy Note 8

O aparelho representa a tentativa da empresa de superar o fiasco da última versão do smartphone, o Galaxy Note 7

Galaxy Note 8: pôs a Samsung em pé de igualdade com o atual modelo da Apple, o iPhone 7 (Samsung/Divulgação)

Galaxy Note 8: pôs a Samsung em pé de igualdade com o atual modelo da Apple, o iPhone 7 (Samsung/Divulgação)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 24 de agosto de 2017 às 11h36.

São Paulo - A Samsung apresentou na quarta-feira, 23, em um evento em Nova York, nos EUA, a nova versão do Galaxy Note 8. Mais do que apenas um lançamento premium da sul-coreana, o aparelho representa a tentativa da empresa de superar o fiasco da última versão do smartphone, o Galaxy Note 7, descontinuada em 2016 após registros de explosões da bateria em vários países. Para evitar surpresas e enterrar o episódio, a Samsung arriscou pouco, mostrando um celular bastante semelhante ao Galaxy S8+, modelo que anunciou em março.

O principal diferencial do Galaxy Note 8 é a sua câmera dupla, uma característica também presente no seu maior rival até agora, o iPhone 7 Plus. Com lançamento previsto nos Estados Unidos em 15 de setembro, o Note 8 ainda não tem preço nem data de estreia para o Brasil. Nos EUA, a operadora T-Mobile anunciou que vai vender o aparelho a US$ 930. Para efeitos de comparação, a versão mais básica do S8+ custa US$ 840 lá fora e R$ 4,4 mil no País.

Lançada em 2011, a linha Galaxy Note da Samsung sempre se diferenciou de outros modelos por ter uma caneta própria, a S Pen, e telas grandes, acima das 5 polegadas. Com a evolução do mercado de smartphones, a empresa perdeu o destaque das telas grandes - cada vez mais populares, por exemplo, pelo crescente uso de vídeo nos celulares.

Após o fracasso do ano passado, que custou US$ 5 bilhões e um risco à marca da Samsung, houve quem questionasse se a companhia voltaria a lançar um modelo da linha Note. "Com pouca diferença de especificações, a Samsung quer saber o quanto caneta e detalhes específicos importam para os usuários", diz Roberta Cozza, analista de pesquisas da consultoria Gartner.

Concorrência

No evento, o momento crítico da maior fabricante de smartphones do mundo foi lembrado pelo presidente da divisão de dispositivos móveis da Samsung, DJ Koh. "Ninguém vai esquecer o que aconteceu em 2016", disse o executivo. No palco, os executivos da sul-coreana fizeram piadas com a inferioridade do iPhone em aspectos como câmera e fone de ouvido.

Isso porque, em 2016, o iPhone desistiu da tradicional entrada de fones de ouvido, de 3,5 mm, em prol de design e mais espaço para a bateria. "O nosso fone continua normal, obrigado", disse Justin Denison, vice-presidente de estratégia de produto da Samsung.

Para analistas, o novo Galaxy Note 8 pôs a Samsung em pé de igualdade com o atual modelo da Apple, o iPhone 7, lançado em setembro de 2016. No entanto, ao arriscar pouco, a companhia deixou sua rival em situação "confortável" para seu próximo lançamento. Tradicionalmente, a Apple revela uma nova edição do iPhone na primeira quinzena de setembro.

Este ano, a expectativa para o novo smartphone da empresa de Tim Cook é maior, por conta do aniversário de 10 anos do primeiro modelo. "O novo iPhone deve ter melhorias significativas em câmera, tela e design. Vai ser competição dura para a Samsung", avalia Roberta.

Especificações

Além da câmera, o outro destaque do Galaxy Note 8 é o seu design: com bordas arredondadas, ele dá a impressão aos consumidores de que tem uma "tela infinita". O recurso não é novo, e já foi apresentado pela Samsung no Galaxy S8+, lançado em março.

Os dois produtos são bastante parecidos em termos de tamanho: a tela do Note 8 tem 6,3 polegadas, contra 6,2 polegadas do S8+.

Em termos de desempenho, o celular também tem capacidade de processamento e armazenamento similares ao S8+. A maior diferença entre os dois aparelhos está na memória RAM: o Note 8 tem 6 GB, disponível apenas nas versões mais caras do S8+.

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