Tecnologia

Quem é John Ternus, 'arquiteto do iPhone' que virou CEO da Apple

Engenheiro de 51 anos, com 25 de casa, passou a vida evitando os holofotes — e agora se torna o oitavo CEO da história da empresa mais valiosa do mundo

John Ternus: executivo se tornou CEO da Apple nesta terça-feira, 1º (Apple/Fundo gerado por IA/Exame)

John Ternus: executivo se tornou CEO da Apple nesta terça-feira, 1º (Apple/Fundo gerado por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 09h32.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreApple
Saiba mais

O projeto de conclusão de curso de John Ternus, na Universidade da Pensilvânia, foi um braço mecânico de alimentação, controlado por movimentos de cabeça, pensado para pessoas com tetraplegia.

Era 1997, e o jovem formando em engenharia mecânica — que também competia no time de natação da universidade — não fazia ideia de que aquele exercício acadêmico prenunciava algo maior: décadas depois, a acessibilidade se tornaria uma marca registrada dos produtos da empresa que ele viria a comandar.

Nesta terça-feira, 1º, Ternus assume oficialmente o cargo de CEO da Apple, encerrando os 15 anos de gestão de Tim Cook e se tornando o oitavo executivo-chefe da história da companhia.

Um começo discreto, longe do Vale do Silício

Nascido em 1975 nos Estados Unidos, Ternus manteve os detalhes de sua criação praticamente fora do radar público — um padrão de discrição que o acompanharia por toda a carreira.

Depois de se formar na Pensilvânia, passou quatro anos como engenheiro mecânico na Virtual Research Systems, pequena empresa californiana especializada em capacetes de realidade virtual, adquirindo experiência prática em hardware antes de dar o salto que definiria o resto de sua vida profissional.

Em julho de 2001, aos 25 anos, Ternus entrou para a equipe de design de produto da Apple — em um momento de transformação da empresa, pouco antes do lançamento do iPod.

Seu primeiro projeto foi o Apple Cinema Display, linha de monitores de tela plana que, anos depois, seria incorporada à família de produtos Pro Display XDR.

Duas décadas subindo os escalões da engenharia

Ao longo dos vinte anos seguintes, Ternus passou por praticamente toda a categoria de hardware da Apple.

Segundo a própria empresa, ele trabalhou em toda geração e modelo de iPad já lançados, e, segundo a Bloomberg, é "uma das forças motrizes por trás da criação do iPadOS, o sistema operacional específico para os tablets da marca".

Em 2013, foi promovido a vice-presidente de engenharia de hardware, atuando como braço direito de Dan Riccio, então chefe de hardware da empresa — cargo que ampliou sua responsabilidade para além do Mac, incluindo também as equipes de iPad.

Em 2020, assumiu a supervisão da engenharia de hardware do iPhone, consolidando-se como o executivo por trás de praticamente toda a linha de produtos físicos da Apple: iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, AirPods e o mais recente Vision Pro.

O engenheiro que nunca quis ser showman

Diferentemente de Steve Jobs, e em menor grau do próprio Cook, Ternus nunca cultivou o status de celebridade.

Sua presença pública se resume aos palcos das keynotes da Apple e a raras aparições na imprensa — ele não corre atrás de entrevistas. Colegas e analistas o descrevem como um líder de engenharia respeitado, com profundo conhecimento institucional da empresa e de sua cultura.

O análogo mais próximo dentro da própria história da Apple é justamente seu antigo chefe, Dan Riccio, que também comandou a área de hardware por anos sem buscar os holofotes — Ternus é descrito por observadores do setor como uma espécie de herdeiro intelectual dele.

Sua nomeação como sucessor de Cook foi confirmada oficialmente em 20 de abril deste ano, encerrando meses de especulação sobre quem assumiria o comando da empresa mais valiosa do mundo. "Mente de engenheiro, alma de inovador e coragem para liderar com integridade e honra" — foi assim que Cook descreveu Ternus ao anunciar a escolha.

O primeiro recado ao time

Segundo o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a primeira mensagem de Ternus a todos os funcionários da Apple, já como CEO recém-indicado, deu o tom que deve marcar sua gestão: discreto, confiante na engenharia, sem a teatralidade de Steve Jobs.

"Estamos prestes a mudar o mundo mais uma vez… A IA vai criar um potencial quase ilimitado", disse.

Um estilo de liderança diferente do antecessor

A escolha de Ternus marca uma mudança de perfil na cúpula da Apple: depois de 15 anos sob a liderança de Cook, especialista em operações e cadeia de suprimentos, a empresa passa a ser comandada por um executivo com raízes profundas em desenvolvimento de produto e engenharia — justamente no momento em que a companhia tenta recuperar terreno perdido na corrida por inteligência artificial (IA) e amplia investimentos em categorias ainda emergentes, como óculos inteligentes e robótica.

Com 25 anos de casa, quase metade da vida dedicada à mesma empresa, Ternus não chega como um estranho testando o próprio comando — chega como alguém que ajudou a construir, peça por peça, boa parte do que a Apple é hoje.

Acompanhe tudo sobre:AppleiPhone

Mais de Tecnologia

Regular a tela do adolescente exige mais do que contar minutos

John Ternus assume comando da Apple nesta terça-feira

Como usar o celular para monitorar treino? Os 5 melhores recursos e apps

China quer reunir mais de 2 mil provedores de serviços de IA até o fim de 2026