Protestos ambientais voltam a agitar a China

A construção de uma fábrica de paraxileno está provocando protestos na China

Pela quarta vez em menos de três anos, a projetada construção de uma fábrica de paraxileno está provocando protestos na China, retomando o confronto entre as autoridades e a crescente consciência ambiental da população.

A última onda de protestos começou no domingo (30) em Maoming, na província de Guangdong, ao Sul da China, e se estendeu nos dias seguintes a Cantão, a capital da província. É cedo, no entanto, para antecipar se o projeto acabará sendo cancelado, como já ocorreu em Dalian, no verão de 2011, e depois em Ningbo e Kunming.

Segundo a imprensa oficial, mais de 1.000 pessoas participaram dos protestos em Maoming, que deverá sediar a fábrica de paraxileno, um agente químico usado na produção de plásticos, principalmente garrafas, e de poliéster.

Alguns manifestantes quebraram vidros de edifícios, destruíram painéis publicitários e lançaram ovos e garrafas de água contra agentes da polícia. Eles foram acusados pelas autoridades locais de desordeiros, segundo o jornal Global Times, de Pequim.

A China é o maior consumidor mundial de paraxileno e em 2013 importou mais da metade dos 16 milhões de toneladas que consumiu, disse um investigador industrial, Chang Yizhi, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua.

Informações distribuídas à população de Maoming pelo governo local indicam que a fábrica criará cerca de 10 mil postos de trabalho e uma receita fiscal anual de 674 milhões de yuan (80,2 milhões de euros).

A fábrica faz parte de um complexo petroquímico mundial, com capacidade de produção de 600 mil toneladas e está inserido no 12º Plano Quinquenal da China (2011-15), definido pelo governo central.

"Para um país populoso, a elevada dependência das importações em um setor como a indústria química pesada pode apresentar riscos estratégicos a longo prazo", alertou um jornal do Partido Comunista Chinês em editorial sobre os protestos em Maoming.

Ao contrário do que proclamam os defensores do empreendimento, o paraxileno é visto por muita gente como um químico tóxico e perigoso para a saúde se for inalado ou absorvido pela pele. "Como cidadão comum, a minha única preocupação é o ambiente. Se o ambiente ficar arruinado, que é que as receitas fiscais trarão de bom?", disse um morador de Maoming citado pela Xinhua.

Em Dalian, Ningbo e em Kunming, após dias consecutivos de manifestações, algumas com milhares de pessoas, os governos locais desistiram de fabricar o produto.

*Com informações da Agência Lusa

Editor Graça Adjuto

 

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