Ciência

Pela primeira vez, estrela é observada devorando planeta

Estrela é uma gigante vermelha, mais velha e nove vezes maior que o Sol

EXAME.com (EXAME.com)

EXAME.com (EXAME.com)

DR

Da Redação

Publicado em 22 de agosto de 2012 às 18h49.

São Paulo - Uma equipe de astrônomos conseguiu ver pela primeira vez a destruição de um planeta por uma estrela "gigante vermelha". À medida que estrelas parecidas com o Sol envelhecem e seu hidrogênio começa a se esgotar, elas se transformam em gigantes vermelhas e se expandem, "engolindo" planetas que encontram próximos.

A estrela estudada pelos astrônomos, batizada de BD+48 740, fica a 1.800 anos-luz da Terra, é mais antiga que o Sol (que tem 4,6 bilhões de anos) e tem um raio nove vezes maior. Os cientistas afirmam que identificaram a morte do planeta a partir da análise de dados da estrela e de outro planeta que foi descoberto em sua órbita.

Proeza - "Observar um planeta prestes a ser devorado por uma estrela é uma proeza quase improvável por causa da rapidez comparativa do processo, mas a ocorrência de tal colisão pôde ser deduzida a partir da forma como afeta a química estelar," disse Eva Villaver, da Universidade Autônoma de Madri (Espanha) e participante da equipe que identificou a destruição do planeta.

As provas da destruição do planeta foram descobertas enquanto os cientistas usavam o telescópio Hobby-Eberly, instalado no Texas (EUA) para estudar a estrela e procurar por planetas em volta dela.

Futuro da Terra - Aleksander Wolszczan, participante do estudo, disse que a Terra deve sofrer o mesmo destino no futuro. Em 1992, ele foi o primeiro e primeiro astrônomo a descobrir um planeta fora do Sistema Solar.


"Um destino semelhante aguarda os planetas do nosso sistema solar, quando o Sol se tornar um gigante vermelho e começar a se expandir em direção à órbita da Terra nos próximos 5 bilhões de anos", disse Wolszczan.

Química peculiar - Segundo os cientistas, essa estrela ainda contém uma composição química peculiar. Uma análise espectroscópica (que verifica a estrutura química de compostos inorgânicos) revelou que a BD+48 740 contém uma quantidade grande de lítio, um elemento raro, criado primariamente durante o Big Bang, 14 bilhões de anos atrás.

Segundo os cientistas, o lítio é facilmente destruído em estrelas, fazendo dessa abundância na estrela algo bastante incomum.

"Teóricos identificaram apenas algumas poucas e muito especificas circunstâncias nas quais o lítio pode ser criado em estrelas. No caso do BD+48 740, é provável que a produção de lítio tenha sido ativada por uma massa do tamanho de um planeta que mergulhou a estrela e depois aqueceu enquanto a estrela o estava digerindo", disse Wolszczan.

Órbita - Outra descoberta dos astrônomos foi a órbita extremamente elíptica de um enorme planeta descoberto perto da estrela que é pelo menos 1,6 vez maior que Júpiter. Segundo Andrzej Niedzielskim, outro astrônomo que participou das buscas, a órbita do planeta é ligeiramente maior do que a de Marte em seu ponto mais estreito e muito mais extensa em seu ponto mais distante.

"Tais órbitas são incomuns em sistemas planetários em torno de estrelas evoluídas e, de fato, a órbita do planeta BD+48 740 é a mais elíptica detectada até agora", disse Niedzielskim.

Como as interações gravitacionais entre planetas são responsáveis por tais órbitas peculiares, os astrônomos suspeitam que o mergulho do planeta “devorado” pela estrela antes dela se tornar uma gigante pode ter dado ao planeta sobrevivente uma explosão de energia, jogando-o em uma órbita excêntrica como se ele fosse um bumerangue.

Acompanhe tudo sobre:EspaçoPlanetasEstrelas

Mais de Ciência

Meteoros fora do comum desafiam explicações científicas

Como saber se estou tendo um infarto?

Cientistas descobrem 24 novas espécies de animais no fundo do Pacífico

Grifes de moda criam 'chefes de IA' para lidar com pressão por resultado