Economia

OMC avalia manter isenção de tarifas digitais por mais cinco anos

Proposta em negociação prevê manter isenção até 2031, enquanto os EUA pressionam por acordo permanente

Publicado em 29 de março de 2026 às 12h39.

Última atualização em 29 de março de 2026 às 12h39.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) avalia estender por mais cinco anos a proibição de tarifas sobre o comércio eletrônico, segundo um rascunho de declaração que circulava neste domingo entre os países-membros.

A proposta prevê a manutenção da moratória até 30 de junho de 2031, ampliando um mecanismo em vigor desde 1998.

A chamada moratória sobre direitos aduaneiros em transmissões eletrônicas, serviços digitais entregues online, tem sido renovada a cada dois anos nas conferências ministeriais da OMC. O instrumento impede que países cobrem tarifas sobre fluxos digitais, como softwares, vídeos, jogos e serviços em nuvem.

O tema ganhou centralidade na 14ª Conferência Ministerial da OMC, a MC14, iniciada na quinta-feira em Yaoundé, capital de Camarões. O encontro reúne representantes de comércio de dezenas de países para discutir regras globais em meio à expansão da economia digital.

Apesar do apoio à extensão, os Estados Unidos defendem tornar a moratória permanente, o que expõe divergências entre os membros da organização.

Em declaração divulgada no início da conferência, o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que transformar a medida em permanente seria uma decisão de baixo custo político e alto impacto econômico.

“Não estamos interessados em outra extensão temporária da moratória”, disse. Segundo ele, a renovação periódica não oferece previsibilidade suficiente para empresas que operam no ambiente digital e pode enfraquecer o papel institucional da OMC.

A posição norte-americana reflete a relevância do comércio digital para grandes empresas de tecnologia e serviços, que dependem de regras estáveis para operar globalmente.

A discussão ocorre em um momento de crescimento acelerado da economia digital, com aumento do peso de serviços online no comércio internacional.

Disputa entre previsibilidade e arrecadação marca debate

A possível extensão da moratória expõe um impasse estrutural entre países desenvolvidos e economias emergentes. Enquanto nações com forte presença no setor digital defendem regras permanentes, parte dos países em desenvolvimento argumenta que a proibição limita o potencial de arrecadação tributária.

Esses países avaliam que a digitalização da economia reduz a base tributária tradicional e defendem maior flexibilidade para adotar tarifas no futuro, sobretudo em setores estratégicos.

Desde sua criação, em 1998, a moratória tem funcionado como um dos pilares da governança do comércio digital global. No entanto, a ausência de consenso sobre sua permanência indica os desafios da OMC em atualizar regras diante das transformações tecnológicas e geopolíticas.

A decisão final deve ser negociada ao longo da conferência, com impacto direto sobre empresas de tecnologia, plataformas digitais e fluxos internacionais de serviços nas próximas décadas.

Com Agência O Globo. 

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