Tecnologia

Grifes de moda criam 'chefes de IA' para lidar com pressão por resultado

Novos cargos indicam como a moda responde a um cenário mais competitivo

Novas oportunidades: marcas da moda agora busca chefes de IA para otimizar as operações (SvetaZi/Getty Images for National Geographic Magazine)

Novas oportunidades: marcas da moda agora busca chefes de IA para otimizar as operações (SvetaZi/Getty Images for National Geographic Magazine)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 29 de março de 2026 às 08h00.

O avanço da inteligência artificial (IA) criou a demanda por um novo cargo de alto escalão na indústria da moda: o de diretor de IA. A função já aparece em empresas como Kering, Ralph Lauren, Lululemon e Marks & Spencer, segundo a Business of Fashion.

No caso da Kering, dona de Gucci e Balenciaga, ao nomear Pierre Houlès para liderar digital, IA e TI, a empresa deixou claro que quer levar a tecnologia para o centro da operação. A missão do executivo inclui incorporar IA no processo criativo e na estrutura do negócio para melhorar desempenho e atratividade das marcas, segundo comunicado da companhia.

Segundo o BoF, trata-se de uma estratégia do setor para tentar responder à pressão ocasionada pela transformação tecnológica. São cargos mais operacionais que conceituais, ou seja, esses executivos decidem quais ferramentas entram, como elas são usadas no dia a dia e o que muda na estrutura das equipes.

"Não está afetando só uma parte do negócio — está afetando tudo, de uma forma sem precedentes", afirmou Paula Reid, da consultoria Reid & Co., ao Business of Fashion. "Ignorar isso no topo da organização seria ignorar um evento de grande importância", completou.

A maioria dessas contratações vêm do setor de tecnologia, e não necessariamente da moda. Lululemon, por exemplo, trouxe uma executiva com histórico em fintechs e saúde. Na Ralph Lauren, a área digital passou a incorporar IA como parte da mesma frente.

Iniciativas como diversidade e sustentabilidade ganharam espaço, mas muitas vezes ficaram isoladas, sem conseguir refletir no negócio. Ao concentrar a parte de IA em uma mesma liderança, as empresas tentam evitar essa fragmentação.

"Os objetivos são transversais", disse Yvonne Pengue, da Spot On Minds, ao Business of Fashion. "Marketing, cadeia de suprimentos, merchandising. Alguém precisa coordenar isso".

Crescimento e reestruturação

Outro cargo que começa a aparecer é o de quem cuida diretamente do crescimento. O papel é juntar áreas que antes funcionavam separadas — como lojas, e-commerce e atacado — e fazer isso virar resultado. Varejistas como Saks e REI, por exemplo, passaram a centralizar decisões que antes ficavam espalhadas entre canais diferentes.

A demanda por esse perfil aumentou rápido. A consultoria Kirk Palmer Associates registrou alta de 300% nas nomeações para diretores comerciais entre 2024 e 2025, movimento que segue neste ano. Em muitos casos, a missão é reorganizar a empresa antes de voltar a crescer.

Esse tipo de contratação cresceu rápido. A consultoria Kirk Palmer Associates registrou aumento de 300% nas vagas de diretor comercial entre 2024 e 2025, movimento que continua em 2026. Segundo a empresa, a maioria dessas mudanças hoje está ligada a reestruturações.

Em grupos com várias marcas, o desafio também envolve crescer sem perder a identidade. "Fica mais difícil alinhar tudo quando há muitas marcas diferentes", disse Yvonne Pengue, da Spot On Minds.

Ainda não está claro quanto tempo esses cargos vão durar. Parte deles pode desaparecer conforme as empresas ajustem suas estruturas. "Em algum momento, não dá para ter todos esses chefes ao mesmo tempo", disse Karen Harvey.

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