Os sete desafios de Larry Page à frente do Google

Recém-empossado como CEO, o cofundador do Google Larry Page tem de enfrentar a concorrência do Facebook, os processos antitruste e as fraquezas da própria empresa

São Paulo — Sai Eric Schmidt, entra Larry Page. O veterano executivo abre espaço para o criador do Google assumir pela segunda vez o controle da maior empresa de internet do planeta. Page tem, agora, a obrigação de mostrar que não é mais o gênio deslumbrado e imaturo que anos atrás comandou a empresa e acabou sendo afastado da presidência a pedido dos investidores.

Vai tentar provar que está pronto para enfrentar os desafios e combater rivais fortes, como o Facebook, que tomou fatia importante do mercado; a Apple, com seus iPads e iPhones; e a arquirrival Microsoft, que recentemente formalizou uma queixa contra o Google na comissão europeia antitruste.

Não vai ser fácil, e os investidores já mostraram que não darão folga ao novo CEO. Na quinta-feira (14), ao divulgar o balanço do primeiro trimestre de 2011, o Google informou alta de 17,5% do lucro líquido. Os analistas de mercado esperavam mais. Chamaram a atenção para o forte aumento das despesas, de 54%. Na sequência, as ações da empresa caíram 6%. Veja abaixo os desafios que o engenheiro de software de 38 anos tem pela frente:

1. O indiscreto Street View

O Google tem um serviço tão útil quanto polêmico: o Street View. A iniciativa permite que o internauta aviste qualquer localidade do plano da calçada ou rua. Para tanto, o Google mapeia e fotografa cidades inteiras com ajuda de carros e bicicletas equipadas com câmeras. Mas a iniciativa sofre resistência por violar, alegam seus detratores, a privacidade de quem acaba flagrado pelas lentes do Google.

Recentemente, a companhia afirmou que deve interromper o projeto na Alemanha por causa do número de reclamações. Queixas semelhantes também foram levantadas na Itália e nos Estados Unidos e podem levar o Google ao banco dos réus por invasão de privacidade e aquisição ilegal de informações.


2. A crise dos livros

O Google Books, a biblioteca virtual do Google, tem em seu acervo 12 milhões de livros digitalizados. Um número impressionante, que pode gerar uma boa dor de cabeça para o novo CEO. Em 2005, a empresa foi processada por instituições incumbidas de representar escritores nos Estados Unidos. O motivo: direitos autorais. Um acordo de 125 milhões de dólares aplacou a fúria dos escritores, mas foi descartado pelo juiz Denny Chin, de Nova York, que entendeu que a companhia teria uma vantagem desleal na área. Só uma nova proposta poderia ajudar o Google a sair dessa situação e continuar a crescer.

3. Competição acirrada

O Google mostrou que uma empresa com pessoas inteligentes e projetos criativos pode crescer muito em pouco tempo. A lição foi bem assimilada pelo Facebook, que toma cada vez mais espaço na internet. E com a valiosa ajuda de vários ex-funcionários do Google, incluindo o responsável pelas operações no Brasil, que mudaram de barco e agora navegam ao lado de Mark Zuckerberg, o criador da rede social mais popular do planeta.

As duas empresas já entraram em conflito quanto à troca de dados dos usuários. Hoje o Google não permite mais a adição direta de seus contatos no Facebook, alegando que a rede de Zuckerberg não segue uma política clara de abertura de informações. Nos Estados Unidos, o Facebook já ultrapassou os sites do Google em visitas.

4. Nova rede social

O Orkut, a rede social do Google, ainda faz sucesso no Brasil e na Índia, mas já perdeu a disputa no resto do mundo. O Google faz aquisições e corre contra o tempo para montar uma nova rede social, que pode ser lançada ainda no primeiro semestre de 2011. O desafio de Page e de sua equipe é claro aqui: criar um produto que consiga substituir a necessidade que as pessoas têm de visitar o rival Facebook. É o que o Google começou a esboçar com o lançamento de um botão equivalente ao "Curtir", do Facebook, batizado "+1". Mas não será uma tarefa simples. A rede de Mark Zuckerberg investe constantemente em melhorias.


5. Batendo de frente com a TV

O Google está transformando o YouTube em sua principal arma contra o padrão tradicional de TV. Recentemente, a empresa decidiu investir 100 milhões de dólares na criação de 20 canais com produções independentes de baixo orçamento (a grana é do Google, certo?). Além disso, a empresa adquiriu os direitos para transmitir clipes, além de filmes e seriados antigos.

É um golpe para as emissoras responsáveis pelos canais abertos e até para as operadoras de TV a cabo. Com um modelo de exibição gratuita, a intenção da empresa é arrecadar dinheiro com publicidade. A questão é saber se o investimento vai trazer algum retorno significativo, justificando o esforço de seus funcionários e a confiança de seus acionistas.

6. Ação antitruste

O Google é, de longe, a maior empresa de buscas da internet no mundo. Tal posição, apesar de privilegiada, traz diversos problemas para seus advogados, que devem lidar com investigações antitruste e acusações de monopólio na rede. Desde novembro de 2010, a Comissão Europeia Antitruste investiga a empresa por violar leis relacionadas à competição.

Neste mês a arquirrival Microsoft decidiu aderir à queixa, dando o exemplo de que seu buscador, o Bing, sofre para acessar conteúdo do YouTube, que pertence ao Google. Como se não bastasse, recentemente a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos começou a analisar a situação da companhia, afirmando que tamanho domínio sobre a área é perigoso e desleal.

7. Android Market

O número de smartphones com o sistema operacional Android já superou o de iPhones vendidos no mundo. O Google claramente investe numa política de quantidade, fazendo acordos com diversos fabricantes de aparelhos, como Motorola e Samsung, para distribuir sua plataforma. Essa corrida tende a deixar algumas pontas soltas, como é o caso do Android Market.

A falta de um controle de qualidade mais rigoroso na aprovação de aplicativos faz com que algumas pérolas – algumas delas perigosas – costumem aparecer na loja virtual. Recentemente, aplicativos responsáveis por roubar dados pessoais dos usuários foram detectados no sistema – mas não antes de serem baixados por milhares de pessoas. É algo que difícilmente aconteceria com a Apple, que possui regras rígidas de aprovação.

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