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Os brasileiros por trás de "Surgeon Simulator", jogo da Bossa Studios

Henrique Olifiers e Roberta Lucca, que saíram da Rede Globo para desenvolver jogos na Europa, se preparam para novo lançamento

Desde esportes eletrônicos até os clássicos jogos de console, o mercado de games está em uma ascensão desenfreada — e deve terminar o ano de 2020 com um faturamento de 2,7 bilhões de dólares. No Brasil, existem mais de 87 milhões de jogadores ativos em todas as plataformas. Mas o país nem sempre foi um mercado tão positivo para os jogos — especialmente nos anos 2000, quando a pirataria de videogames era frequente.

É por isso que, ainda no começo do século, Henrique Olifiers e Roberta Lucca saíram dos estúdios do Big Brother Brasil diretamente para a Europa. O designer de jogos e a empreendedora trabalhavam com jogos online para o programa e outras áreas da Rede Globo por alguns anos, quando decidiram partir em busca de uma nova experiência profissional: o desenvolvimento de jogos eletrônicos.

Após passarem por algumas empresas durante a chegada na Europa, Olifiers e Lucca resolveram montar sua própria desenvolvedora de jogos, chamada Bossa Studios. Criada em 2010, na Inglaterra, a empresa desenvolveu jogos que viraram febre entre os gamers — como Surgeon Simulator e I Am Bread.

Segundo Olifiers, a ida para a Inglaterra foi sua influência, já que acompanhava desde 1990 o mercado de jogos independentes no país. "Existem quatro mercados com bastante destaque na criação de jogos — Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Inglaterra. Mas o foco criativo e de inovação neste último era o mais atrativo, por estar liderando a produção de jogos indies — que era nosso objetivo", comentou o designer.

Em Surgeon Simulator, o jogador atua como um cirurgião em situações de emergência, fazendo com que a experiência seja imersiva — e que exige muita concentração. Já em I Am Bread, que também viralizou, permite que o jogador se sinta como um pedaço de pão, cujo único objetivo é alcançar a torradeira para se tornar uma torrada. Confira, abaixo, um vídeo do game:

Embora os fãs do jogo tenham de esperar mais um ano para receber a sequência I Am Fish, que lançará em 2021, a aposta da Bossa Studios para 2020 é a continuação de Surgeon Simulator. Com lançamento previsto para o dia 27 de agosto, Surgeon Simulator 2 terá um modo cooperativo com até quatro jogadores, que tentarão impedir que o desastre aconteça.

A primeira versão do jogo conta com mais de 5 milhões de jogadores desde o seu lançamento, e a equipe recebeu um prêmio do British Academy Games Awards em 2012 — considerado o maior prêmio de jogos da Europa. 

Segundo Roberta Lucca, o segredo para conquistar uma base sólida de jogadores é trabalhar, constantemente, para que as condições favoreçam o player. "Você faz o melhor que pode para cuidar e dar atenção aos jogadores. Embora o foco inicial não seja um sucesso imediato, a gente sempre trabalha para que o cenário possibilite um destaque maior", disse a empreendedora para a EXAME.

Embora com uma base maior de jogadores nos Estados Unidos, Olifiers comentou que o sucesso de Surgeon Simulator é global — mais de 500.000 pessoas ainda assistem a vídeos sobre o jogo diariamente. A dupla ressaltou que essa é a primeira sequência de um jogo que realizam. A ideia surgiu de forma natural, em uma das sessões de brainstorm que realizam com os funcionários do estúdio.

Confira, abaixo, o trailer do jogo multiplayer.

Embora a pandemia tenha dificultado o trabalho coletivo para o lançamento do jogo, o estúdio conseguiu achar uma forma de trabalhar de forma híbrida — metade no escritório e metade em suas casas — para que o game pudesse ser lançado no tempo correto. Olifiers acrescentou que, embora profissionais de algumas áreas — como os devs — precisem estar mais fisicamente presentes, a tecnologia atual permite que um game seja finalizado remotamente.

Isso, porém, não significa que o estúdio possa existir de forma totalmente remota. "Como a Bossa é publicadora dos jogos que desenvolve, é importante estarmos de forma presencial em mercados como a Inglaterra, onde conseguimos atuar no desenvolvimento de negócios mais facilmente", disse Lucca.

Além disso, Olifiers também ressaltou que, embora a barreira das fronteiras esteja diminuindo, o acesso para financiamento e conhecimento tecnológico de jogos ainda é mais fácil fora do Brasil. "O maior evento profissional da área é a Game Developers Conference em São Francisco, nos Estados Unidos, seguido pela Gamescom", disse. "Ainda permanece sendo o melhor local para conseguir contatos profissionais, embora artistas e músicos tenham mais liberdade para trabalharem remotamente.

Ao final da entrevista, a dupla comentou existir o interesse de montar uma filial no Brasil futuramente — mas ainda é um projeto distante. O que não falta, porém, é investimento na área: até 2025, especialistas acreditam que o mercado de games brasileiro terá uma receita anual de 1 bilhão de dólares.

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