Ciência

Nova espécie de boto é descoberta no Brasil e já corre risco

O novo golfinho de rio foi chamado de "boto do Araguaia", em homenagem ao local onde foi encontrado na Amazônia. É a 1ª descoberta do tipo desde 1918 no mundo


	Raridade ameaçada: cientistas estimam que existem cerca de 1.000 botos araguaias
 (Cortesia de Nicole Dutra/ UFAM)

Raridade ameaçada: cientistas estimam que existem cerca de 1.000 botos araguaias (Cortesia de Nicole Dutra/ UFAM)

Vanessa Barbosa

Vanessa Barbosa

Publicado em 24 de janeiro de 2014 às 09h37.

São Paulo - Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas descobriram uma nova espécie de golfinho de rio no Brasil, chamado de "boto Araguaia". É o primeiro achado do tipo no mundo em quase 100 anos. O nome é referência ao local onde foi encontrado, na Bacia do rio Araguaia. A descoberta foi descrita em artigo publicado na revista científica Plos One.

Esta espécie, denominada Inia araguaiaensis, é o quinto golfinho de rio conhecido no mundo, o que o torna um animal muito raro. A última espécie de golfinho ribeirinho a ser descrita, em 1918, foi o baiji chineses, que foi considerado extinto por volta de 2006.

Três das quatro espécies previamente conhecidas estão ameaçadas de extinção, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

No artigo publicado na revista científica, os cientistas estimam que existem cerca de 1.000 botos araguaias. Eles sugerem que o animal seja listado como "vulnerável" à extinção pela IUCN.

As principais ameaças, dizem os pesquisadores, são a fragmentação devido ao desenvolvimento que invade áreas de proteção e a construção de hidrelétricas na região amazônica.

Diferentes mas nem tanto

Durante a realização de pesquisas, os cientistas da Universidade Federal do Amazonas se depararam com um grupo de golfinhos em uma bacia do Rio Amazonas. Duas espécies de boto eram conhecidos por habitar a região, mas eles notaram que um determinado grupo foi separado dos outros por uma série de corredeiras e um canal. Isso os levou a suspeitar que o grupo que tinham encontrado poderia ser uma espécie distinta .

A equipe realizou testes para estudar as seções do DNA nuclear e mitocondrial de três espécies distintas. As conclusões indicaram que as espécies recém-descobertas de fato se desenvolveram separadamente dos tipos previamente conhecidos.

Os pesquisadores também realizaram testes para comparar as estrutruras físicas dos animais. Observando machos e femêas, eles encotraram pequenas diferenças no número e na forma de seus dentes e crânios.

Diante das evidências, a hipótese levantada foi de que os indivíduos do Araguaia representam um grupo biológico distinto, que provavelmente foi separado de outras espécies de golfinhos mais de dois milhões de anos atrás.

Biodiversidade desconhecida

Segundo os cientistas, o achado deixa uma mensagem clara. "Esta descoberta destaca a imensidão do déficit em nosso conhecimento da biodiversidade, bem como a vulnerabilidade da biodiversidade frente as ações do  homem em uma paisagem cada vez mais ameaçada", afirmam.

Eles esperam que o  estudo forneça um impulso para programas de reanálise taxonômica e de proteção dos ecossistemas aquáticos do Araguaia e Amazônia, bem como estimular análises históricas sobre a relação das duas bacias.

Para realização das pesquisas, a equipe de cientistas contou com o apoio da Força aérea brasileira, do Batalhão de polícia ambiental de Goiás e APA Meandros do Rio Araguaia.

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