Ciência

Mudar o sexo do Aedes aegypti pode acabar com a dengue

Cientistas identificaram gene que transforma mosquitos em machos. Com isso, foram capazes de mudar sexo de Aedes aegypti


	 Aedes aegypti: apenas as fêmeas são vetores na transmissão de doenças
 (Thinkstock/Damrongpan Thongwat)

Aedes aegypti: apenas as fêmeas são vetores na transmissão de doenças (Thinkstock/Damrongpan Thongwat)

Victor Caputo

Victor Caputo

Publicado em 21 de maio de 2015 às 17h50.

São Paulo – Cientistas encontraram um jeito de transformar mosquitos fêmeas em machos. A importância disso é que aqueles que picam (e servem como vetores para doenças, como a dengue) são as fêmeas, que procuram por sangue para desenvolver seus ovos.

A pesquisa foi feita nos Estados Unidos, na Virginia Tech. O interessante é que os testes foram feitos usando os mosquitos Aedes aegypti – vetores da dengue e das febres chikungunya e zika, que são grandes problemas de saúde pública no Brasil.

Na pesquisa, os cientistas descobriram o gene que faz com que os mosquitos sejam machos. O gene foi chamado de Nix. Há décadas, a comunidade científica sabia que o sexo era definido por um gene, nos mosquitos, mas ninguém havia sido capaz de encontrar esse gene até hoje.

Ao injetar o gene Nix em embriões de mosquitos fêmeas, 2/3 deles se transformaram em machos. Outros resultaram em mutações genéticas, misturando atributos femininos e masculinos. Retirar o gene Nix de embriões de machos, por outro lado, transformava os mosquitos em fêmeas.

A descoberta é importante no desenvolvimento de estratégias para o controle da disseminação de doenças, como a dengue ou a febre chikungunya.

“Nós ainda não chegamos lá, mas o objetivo final é estabelecer linhas transgênicas que expressem o Nix em fêmeas genéticas, transformando-as em machos inofensivos”, disse Zach Adelman, um dos membros do estudo em um comunicado.

A diminuição de mosquitos Aedes aegypti não deve ser um problema para o meio ambiente, de acordo com Brantley Hall, outro membro do estudo. O mosquito é originário da África e se espalhou ao redor do mundo no século XVIII.

A questão da dengue também tem gerado pesquisas na área no Brasil.

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