Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 07h00.
Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 08h43.
Uma linha do metrô de Lisboa abriga uma infraestrutura de pesquisa que permite testar fibras ópticas de nova geração em condições extremas. O projeto Lumiere conecta cabos instalados nos túneis a um laboratório do Instituto Superior Técnico para investigar como vibrações, variações de temperatura e outros fatores afetam o desempenho das redes de telecomunicações.
Em vez de testar novas tecnologias de telecomunicações apenas em um laboratório, pesquisadores em Lisboa têm à disposição um ambiente de pesquisa instalado nos túneis do metrô da cidade. A infraestrutura faz parte do projeto LUMIRing (sigla em inglês para Anel de Fibra Multicore do Metrô de Lisboa), que utiliza cabos de fibra óptica multicore para investigar como esse tipo de tecnologia se comporta fora das condições controladas de um laboratório.
A iniciativa, apresentada durante o Atlantic Convergence, evento da DE-CIX, conecta uma rede de cabos instalada na Linha Amarela do metrô ao Laboratório de Comunicações Ópticas do Iscte. "O objetivo é aproximar os experimentos acadêmicos das condições encontradas em redes de telecomunicações em operação", afirma Adolfo Cartaxo, professor do Iscte e coordenador do projeto.
Adolfo Cartaxo, professor do Iscte e coordenador do projeto LUMIRing, durante apresentação dos testes com fibra óptica multicore no metrô de Lisboa. (Reprodução)
A diferença está nas condições de teste: enquanto um laboratório permite controlar fatores que interferem no desempenho dos equipamentos, uma infraestrutura instalada no metrô fica exposta a vibrações, variações de temperatura e outras perturbações do ambiente.
A necessidade de ampliar a capacidade das redes de comunicação está relacionada ao aumento da demanda por transmissão de dados.
"Uma das alternativas tradicionais para atender a esse crescimento é instalar mais cabos de fibra óptica. A tecnologia multicore, porém, permite explorar outra possibilidade: transportar informações por vários núcleos ópticos dentro de uma mesma fibra", diz Cartaxo.
Uma fibra óptica convencional utiliza um núcleo para transmitir sinais luminosos que carregam informações. Na tecnologia multicore, vários núcleos são incorporados à mesma estrutura física, permitindo que cada um funcione como um canal óptico.
A abordagem pode aumentar a capacidade de transmissão sem exigir um crescimento proporcional da quantidade de fibras físicas instaladas. Isso pode ser relevante em redes de longa distância, redes metropolitanas e redes de acesso, que conectam os usuários aos serviços de telecomunicações.
O potencial da tecnologia, entretanto, não depende apenas dos resultados obtidos em experimentos de laboratório. Em uma rede instalada, emendas nos cabos, condições mecânicas, variações ambientais e fenômenos relacionados à polarização da luz podem afetar o comportamento dos sinais.
É nesse ponto que entra o LUMIRing. A proposta é observar o desempenho das fibras multicore em uma infraestrutura real, identificando como as condições de instalação interferem nos experimentos e nos resultados obtidos pelos pesquisadores.
O projeto utiliza trechos da Linha Amarela do metrô de Lisboa organizados em dois anéis de fibra óptica. O trecho norte tem aproximadamente 16 quilômetros, enquanto o trecho sul tem cerca de 10 quilômetros, totalizando 26 quilômetros de extensão.
O anel sai do laboratório do Iscte e percorre a Linha Amarela até as estações Rato e Odivelas, nas duas pontas da linha, passando por estações como Campo Grande, Cidade Universitária e Lumiar. O sistema conta ainda com nove pontos de emenda e cinco pontos de acesso, que permitem aos pesquisadores acessar os núcleos ópticos para realizar experimentos.
Os cabos estão fixados nas paredes dos túneis. Com isso, ficam sujeitos a condições diferentes das encontradas em uma instalação de laboratório, incluindo as vibrações provocadas pela passagem dos trens e as variações de temperatura ao longo do dia.
A conexão com o laboratório do Iscte permite que os pesquisadores mantenham os equipamentos de medição e controle em um ambiente de pesquisa, enquanto a fibra é submetida às condições reais de instalação.
É uma infraestrutura de pesquisa em Lisboa que permite testar fibras ópticas multicore em condições reais de instalação, conectando cabos nos túneis do metrô ao Laboratório de Comunicações Ópticas do Iscte – Instituto Universitário de Lisboa.
É uma fibra que contém vários núcleos ópticos na mesma estrutura física. Cada núcleo pode funcionar como um canal de transmissão de sinais luminosos.
Os túneis expõem os cabos a condições como vibrações e variações de temperatura, permitindo estudar fatores que são mais difíceis de reproduzir em um laboratório convencional.
A rede descrita na apresentação tem aproximadamente 26 quilômetros, divididos entre um anel norte de 16 quilômetros e um anel sul de 10 quilômetros.
A tecnologia permite explorar vários canais ópticos dentro de uma mesma fibra, com potencial para ampliar a capacidade de transmissão de dados sem aumentar proporcionalmente a quantidade de fibras físicas.
O LUMIRing é uma infraestrutura de pesquisa voltada a avaliar o comportamento da tecnologia em condições reais. Os dados disponíveis não permitem concluir que a fibra multicore está pronta para substituir as soluções convencionais em larga escala.