Tecnologia

Microsoft testa armazenamento em vidro com promessa de durar 10 mil anos

Projeto Silica usa vidro borossilicato modificado a laser para guardar até 4,84 TB por peça e aposta em durabilidade milenar como alternativa à nuvem

Imagem de chip de vidro da Microsoft: pesquisa sobre armazenamento offline de dados anima empresa de tecnologia

Imagem de chip de vidro da Microsoft: pesquisa sobre armazenamento offline de dados anima empresa de tecnologia

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 13h59.

A Microsoft apresentou um projeto de armazenamento de dados em vidro com promessa de durabilidade de até 10 mil anos. Batizado de Project Silica, o estudo utiliza vidro borossilicato, um dos tipos mais comuns do material, modificado com laser para gravar informações sensíveis ou confidenciais. Em testes iniciais, uma placa de 2 milímetros de espessura foi capaz de armazenar mais de 1 terabyte (TB).

Segundo artigo publicado na revista científica Nature, “a gravação a laser em suportes robustos, como o vidro, surge como alternativa promissora com potencial para aumentar a longevidade dos dados”. A pesquisa é apresentada em um momento em que cresce a desconfiança de parte dos usuários em relação ao armazenamento exclusivamente digital, especialmente diante da descontinuidade de serviços e plataformas.

O debate ocorre paralelamente à expansão dos centros de dados e ao aumento da demanda por armazenamento em nuvem, modelo remoto de guarda de informações em servidores. A percepção de que registros digitais podem desaparecer com o fim de empresas ou redes sociais tem alimentado a busca por soluções de preservação de longo prazo.

A proposta do Silica se insere nesse contexto de preservação da vida digital. Com a substituição frequente de plataformas,de redes sociais a serviços de e-mail, crescem as preocupações sobre o desaparecimento de acervos históricos e arquivos institucionais. A própria expansão da infraestrutura de nuvem levanta questionamentos sobre custo, segurança e sustentabilidade no longo prazo.

Ao site Gizmodo, o físico Peter Kazansky, pesquisador envolvido no estudo, classificou as tecnologias atuais como “frágeis”. Segundo ele, registros digitais mantidos em discos magnéticos estão sujeitos à deterioração constante. A proposta do vidro seria criar uma camada de preservação offline, reduzindo riscos associados a falhas de hardware ou ataques cibernéticos.

Técnica usa laser ultrarrápido e voxels tridimensionais

O método emprega um laser ultrarrápido de femtossegundo para criar os chamados voxels de fase, do inglês phase voxels. Diferentemente dos pixels bidimensionais, voxels são unidades tridimensionais que armazenam informação em múltiplas camadas no interior do vidro. Esses dados podem ser lidos posteriormente com microscópio especializado e interpretados com auxílio de inteligência artificial.

Cada milímetro cúbico do material pode armazenar até 1,59 gigabyte (GB), segundo os pesquisadores. Nos testes conduzidos com placas de 12 centímetros quadrados e 2 milímetros de espessura, a capacidade estimada chegou a 4,84 TB, volume comparado pelos autores a cerca de dois milhões de livros físicos.

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