Colaboradora
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 17h02.
Última atualização em 10 de fevereiro de 2026 às 17h14.
O aplicativo de conversas Discord passará a exigir verificação de idade para usuários que desejem acessar conteúdos classificados como adultos, segundo anúncio feito pela empresa em seu site oficial. A mudança começa a valer no próximo mês e afetará toda a base de usuários da plataforma, que reúne milhões de adolescentes e jovens adultos em comunidades de conversa.
Com a atualização, todas as contas serão automaticamente categorizadas como pertencentes a adolescentes, impedindo o acesso a conteúdos marcados como gráficos ou sensíveis até que o usuário confirme sua faixa etária. A empresa afirma que o objetivo é ampliar a proteção de menores e atender a pressões regulatórias crescentes em diferentes países.
Nem todos os usuários, porém, precisarão recorrer ao envio de imagens pessoais para validação. Segundo o Discord, será possível optar entre a chamada estimativa da idade facial, tecnologia que usa análise automatizada de imagens, ou o envio de um documento de identificação a parceiros externos responsáveis pela verificação.
Além disso, a plataforma está implementando um sistema automatizado de inferência de idade, baseado em tempo de conta, padrões de atividade e outros sinais internos.
Savannah Badalich, chefe global de produto do Discord, disse ao site The Verge que alguns usuários poderão ser submetidos a mais de um método de checagem. "Se as ferramentas precisarem de mais informações para confirmar a veracidade dos dados, etapas adicionais poderão ser solicitadas", afirmou. Usuários novos, segundo ela, não poderão usar o modelo automatizado, já que ele depende de histórico de uso.
Caso nenhuma das opções seja conclusiva, o aplicativo poderá exigir imagens de documentos oficiais emitidos por governos. Em nota, a empresa declarou que tanto os documentos quanto as fotos analisadas por inteligência artificial são “apagados rapidamente” de seus sistemas internos.
Usuários que não forem classificados como adultos verão uma tela totalmente preta ao tentar acessar servidores considerados impróprios, sem possibilidade de interação. A restrição visual é semelhante à aplicada hoje a canais privados ou que exigem autorização prévia.
A limitação também se estende a canais voltados para eventos públicos. Já servidores marcados como adequados para todas as idades continuarão funcionando normalmente. Recursos de amizade, no entanto, passarão a exibir alertas adicionais quando adolescentes receberem mensagens ou convites de desconhecidos.
Badalich reconhece que as mudanças podem levar parte dos usuários a abandonar a plataforma, que tem sido apontada como espaço de atuação de grupos envolvidos com disseminação de ódio e violência.
No Brasil, há casos emblemáticos, como o de um homem condenado a 24 anos de prisão por crimes como estupro de vulnerável e corrupção de menores, após investigações relacionadas a grupos no Discord.
O movimento acompanha iniciativas semelhantes de outras plataformas, como o Roblox, que passou a restringir conversas para usuários jovens após denúncias globais sobre adultos que utilizariam jogos online para se aproximar de menores.
Na União Europeia, preocupações com segurança infantil na internet têm impulsionado propostas de novas regras para aplicativos populares, com previsão de multas caso as exigências não sejam cumpridas.