Sundar Pichai: CEO do Google (Christoph Soeder/picture alliance via Getty Images/Getty Images)
Repórter
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 15h04.
Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 15h15.
A Alphabet, controladora do Google, atingiu nesta segunda-feira, 12, o valor de mercado de US$ 4 trilhões, tornando-se a quarta empresa a integrar o seleto grupo de gigantes da tecnologia com esse patamar de avaliação. A valorização ocorreu após a confirmação de um acordo multianual com a Apple para fornecer a tecnologia de inteligência artificial que vai alimentar a nova versão da Siri.
Segundo comunicado conjunto divulgado pelas empresas, o Gemini, modelo de IA do Google, servirá como base dos Apple Foundation Models, que incluem a assistente de voz do iPhone. Apesar de não revelarem os termos financeiros, Bloomberg informou que o contrato pode envolver pagamentos anuais de cerca de US$ 1 bilhão à Alphabet.
A parceria entre as duas big techs ocorre após meses de negociações. O Google foi escolhido, segundo a Apple, por oferecer "a base mais capaz para os modelos de IA da empresa". A tecnologia da Alphabet será utilizada diretamente nos dispositivos da Apple ou por meio do sistema Private Cloud Compute, voltado à proteção da privacidade dos usuários.
As ações da Alphabet subiram até 1,7% durante o pregão, enquanto os papéis da Apple tiveram alta mais modesta, inferior a 1%. O anúncio também fortalece a posição da Alphabet no setor de IA, em um momento em que a empresa busca reconquistar espaço frente à popularização de soluções como o ChatGPT e o Sora, ambos da OpenAI.
A nova Siri, equipada com os recursos do Gemini, deve ser lançada ainda em 2026, segundo fontes próximas aos planos da Apple.
Com a nova valorização, a Alphabet superou a Apple em valor de mercado pela primeira vez desde 2019. O movimento encerra um ciclo de forte recuperação da empresa, que viu suas ações saltarem 65% em 2025 — sua melhor performance anual desde 2009, quando os papéis dobraram de valor após a crise financeira global.
Parte da retomada é explicada pela reorganização da estratégia da companhia no segmento de IA, culminando no lançamento do chip Ironwood — da sétima geração de suas tensor processing units, alternativas aos chips da Nvidia — e no sucesso da terceira geração do Gemini.
Em meio a preocupações sobre o impacto da IA generativa no modelo de negócios baseado em publicidade online, a Alphabet também conseguiu conter o temor de que estaria ficando para trás em inovação.
Segundo o Citi, 70% dos clientes da nuvem do Google já utilizam ferramentas de IA da empresa, o que indica adesão crescente de mercado. "O Google tem o chip, a capacidade de infraestrutura e o modelo, em um cenário de demanda crescente", diz relatório da instituição.