Tecnologia

Vibe coding: agora é possível criar um site ou app só conversando com a IA; saiba como

Tendência conhecida como vibe coding usa inteligência artificial para transformar descrições em linguagem natural em sites e aplicativos funcionais, sem exigir conhecimento de programação

"Vibe coding": tendência permite criar sites e apps com comandos em linguagem natural para uma IA

"Vibe coding": tendência permite criar sites e apps com comandos em linguagem natural para uma IA

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 26 de junho de 2026 às 19h01.

A criação de sites e aplicativos a partir de comandos em linguagem natural deixou de ser uma ideia distante e passou a integrar o vocabulário de desenvolvimento digital. A prática, conhecida como vibe coding, permite que usuários descrevam o que desejam e recebam como resposta estruturas funcionais de páginas, mesmo sem conhecimento técnico avançado.

Um exemplo desse tipo de solicitação envolve pedidos como a construção de um site para estúdio de fotografia, com fundo escuro, galeria de imagens, vídeos e formulário de contato.

A proposta resume uma mudança de paradigma: a programação passa a ser mediada por linguagem cotidiana, aproximando a criação digital de uma interação semelhante ao envio de mensagens.

Há poucos anos, esse tipo de interação com sistemas de desenvolvimento era considerado improvável fora de ambientes especializados. Com a evolução de modelos de inteligência artificial generativa, a barreira entre ideia e execução técnica começa a ser reduzida, ainda que com limites de personalização e validação humana.

O que é vibe coding e quem criou o termo?

O vibe coding consiste em descrever o que se quer em linguagem natural e deixar que a IA gere o código e monte a interface na tela. Sem ter que abrir um editor ou aprender uma linguagem de programação. Em vez de escrever cada linha de código, o usuário orienta e testa o resultado, ajustando a cada rodada até chegar ao produto desejado.

O termo foi cunhado por Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, em um post no X (antigo Twitter) publicado em 2 de fevereiro de 2025. Na publicação, Karpathy descreveu a prática como um tipo de programação em que se aceita o código gerado pela IA sem revisar cada linha.

Em março de 2025, o dicionário Merriam-Webster incluiu "vibe coding" como expressão de gíria em alta. Em novembro do mesmo ano, o Collins English Dictionary elegeu o termo como a palavra do ano de 2025.

Como o vibe coding funciona?

O processo se parece mais com uma conversa do que com uma sessão de programação:

  1. Comando inicial: o usuário descreve o que quer em uma frase ou parágrafo. Exemplo: "Crie uma landing page para um curso de confeitaria, com recomendações, cases de sucesso, formulário de contato e plataforma de compra";
  2. Geração: a IA interpreta a instrução e produz o código (HTML, CSS, JavaScript ou frameworks como React e Next.js);
  3. Ajuste: se algo não ficou como o esperado, o usuário dá um novo comando: "Mova o formulário para baixo e troque a cor do botão para rosa". A IA reescreve o trecho sem exigir que o usuário toque no código;
  4. Publicação: a versão final pode ser colocada no ar com integrações da própria ferramenta, em plataformas como Vercel ou Netlify.

Esse ciclo de comando e refinamento se repete até o resultado ficar satisfatório. Quanto mais específico for o comando, melhor tende a ser o ponto de partida.

Qual a diferença entre vibe coding, no-code e programação tradicional?

As três abordagens fazem a mesma coisa — criar software — mas partem de pontos de partida distintos. A programação tradicional exige domínio de linguagens como Python e JavaScript, com controle total sobre cada linha de código.

Plataformas no-code oferecem interfaces visuais com blocos que o usuário arrasta e solta. São acessíveis, mas limitam a personalização, visto que o resultado fica preso aos templates que a plataforma oferece.

O vibe coding ocupa uma faixa intermediária. Não exige conhecimento de programação, mas também não restringe o resultado a templates fixos. O usuário pode pedir recursos sob medida e construir algo único com poucos comandos. A flexibilidade é maior do que a do no-code, e a barreira de entrada é menor do que a da programação convencional.

Ferramentas de vibe coding em 2026

O mercado de ferramentas de vibe coding se divide em duas categorias: construtores de apps (voltados a quem não programa) e editores de código com IA (voltados a desenvolvedores). As opções mais usadas em 2026 são:

  • Lovable: gera aplicações full-stack (com front-end, back-end e banco de dados) a partir de descrições em texto. Permite integração com Supabase para banco de dados e Stripe para pagamentos. Funciona no navegador.
  • Bolt.new: constrói e publica aplicações web direto no navegador a partir de prompts. Oferece preview em tempo real e deploy integrado com Vercel e Netlify.
  • v0: desenvolvido pela Vercel, gera componentes React e Next.js com qualidade de produção a partir de linguagem natural. Em janeiro de 2026, foi rebatizado de v0.dev para v0.app e ganhou integração com Git e bancos de dados.
  • Cursor: é um editor de código baseado no VS Code, com IA integrada para geração e refatoração de código em projetos existentes. Diferente dos anteriores, exige familiaridade com programação e funciona como um acelerador para desenvolvedores.

O que dá para criar com vibe coding?

As ferramentas atuais funcionam bem para projetos de baixa a média complexidade.

Entre os tipos mais comuns estão: landing pages e portfólios profissionais; painéis de dados (dashboards) e apps CRUD com formulários e banco de dados; protótipos de SaaS para validação com clientes; lojas virtuais com integração de pagamento; e páginas de captura para campanhas de marketing.

Projetos que envolvem lógica de negócio complexa, alta segurança ou escalabilidade para milhões de usuários pedem uma revisão por desenvolvedores antes de irem para produção.

Como publicar o site ou app na internet?

Uma das vantagens das ferramentas de vibe coding é que a publicação faz parte do fluxo. O processo varia conforme a plataforma, mas segue uma ordem parecida:

  • Finalize o projeto dentro da ferramenta (Bolt.new, Lovable, Replit ou v0);
  • Clique no botão de deploy ou publicação integrado — a maioria oferece conexão nativa com Vercel, Netlify ou GitHub Pages;
  • A plataforma gera um link público (exemplo: meu-app.vercel.app) em menos de um minuto;
  • Para usar um domínio próprio (meusite.com.br), basta comprá-lo em um registrador e conectá-lo pelas configurações da hospedagem.

Quanto custa usar ferramentas de vibe coding?

A maioria das plataformas opera no modelo freemium — versão gratuita com limites de uso e planos pagos para quem precisa de mais capacidade. Por exemplo, o Bolt.new oferece um plano gratuito com 1 milhão de tokens por mês (limite diário de 300 mil tokens). O plano Pro custa US$ 25/mês e inclui 10 milhões de tokens mensais.

Já o Cursor tem um plano gratuito (Hobby) com limites de uso. O Pro custa US$ 20/mês, com créditos para uso de modelos de IA de ponta. O plano Teams sai por US$ 40/mês por usuário.

O Lovable oferece plano gratuito com limites de geração. Os planos pagos partem de US$ 25/mês.

Quais são as limitações do vibe coding?

O código gerado por IA pode conter falhas de segurança e redundâncias que passam despercebidas sem revisão humana. Em setembro de 2025, a plataforma Lovable teve vulnerabilidades identificadas em aplicações criadas por seus usuários, conforme reportado pela Ars Technica — 170 de 1.645 apps apresentavam problemas que expunham dados pessoais.

A manutenção também é um ponto de atenção. Se o usuário não compreende o código que a IA escreveu, corrigir um erro que a própria IA não consegue resolver pode travar o projeto.

A IA também não interpreta regras de negócio por conta própria, não garante escalabilidade e pode gerar resultados inconsistentes quando o prompt é vago. Por ora, o vibe coding funciona melhor quando há um humano na condução de cada etapa.

Acompanhe tudo sobre:Inteligência artificialProgramadores

Mais de Tecnologia

ChatGPT e Gemini no modo voz: o que dá para fazer falando com a IA?

O Windows 10 não morreu: Microsoft libera atualização para usuários

Por que Apple e Xbox vão aumentar os preços?

Agentes de compra com IA: o que são e como funcionam os assistentes que compram por você