Kindle: e-reader da Amazon é um dos sucessos da companhia (Fundo gerado por IA/Montagem/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 13h09.
Última atualização em 13 de agosto de 2026 às 15h06.
No mesmo ano em que o primeiro iPhone foi mostrado ao mundo por Steve Jobs, na outra ponta das big techs, Jeff Bezos, fundador da Amazon, anunciou o primeiro Kindle da história da varejista — o leitor de livros digitais, à época, foi visto com os mesmos tons de ceticismo e fascinação.
Afinal de contas, como escreveu o colunista David Pogue do New York Times naquele ano, valia a pena investir em uma tecnologia para algo que já funcionava?
A pergunta de Pogue era se a Amazon estava ficando "maluca" por apostar em e-readers. A resposta, dada anos depois, é que não.
O mercado global do Amazon Kindle atingiu US$ 658,08 milhões neste ano até agora e pode chegar a US$ 951,33 milhões até 2035. A projeção é da Market Growth Report, que estima uma taxa de crescimento anual composta (CAGR, na sigla em inglês) de 4,18% no período.
Apesar do lançamento ter acontecido há quase vinte anos, a história do Kindle começa em 1997, quando Bezos teve o primeiro contato com um leitor digital: o Rocket eBook, criado pela NuvoMedia.
O aparelho chamou sua atenção, mas pesava quase meio quilo e dependia de conexão com computador para baixar livros. A Amazon não apostou nele — as patentes acabaram vendidas para a rival Barnes & Noble, e o produto foi descontinuado em 2003.
A Amazon já vendia livros digitais no início dos anos 2000, mas o sistema incomodava Bezos. Os arquivos vinham em formatos fechados da Microsoft ou da Adobe e só podiam ser lidos em computadores ou assistentes pessoais digitais, os PDAs — nada portátil o bastante para caber numa bolsa.
Em 2004, Bezos criou um laboratório de pesquisa na Califórnia, batizado de Lab126. O nome é referência ao sonho de vender todos os livros de A a Z: o "1" representa a letra A, e o "26", a letra Z. O desafio dado à equipe era claro — criar um produto capaz de desbancar o próprio negócio de livros físicos da Amazon.
O projeto ganhou o codinome Fiona. Segundo Steve Kessel, então vice-presidente sênior da Amazon e líder da equipe original, o prazo prometido a Bezos era de 18 meses, com "alguns punhados de gente". "Levou três anos e meio e muito mais do que alguns punhados de pessoas", contou.
Antes do lançamento, a equipe foi levada a uma casa por um fim de semana, junto com Bezos, para testar o protótipo. "A gente dizia: vamos todos ler por uma hora. Depois voltávamos e conversávamos sobre como o dispositivo se sentia na mão", relatou Kessel.
O primeiro Kindle foi lançado em 19 de novembro de 2007, em evento para a imprensa em Nova York, ao preço de US$ 399. Tinha tela de seis polegadas e 256 MB de armazenamento — espaço para cerca de 200 livros.
O diferencial não estava no hardware, mas na conexão. Era possível comprar e baixar livros diretamente do aparelho, sem precisar de computador ou cabo, usando a mesma rede de telefonia celular dos aparelhos avançados da época. Os concorrentes ainda exigiam sincronização manual.
Como colocar livros no Kindle pelo PC (USB e Internet) passo a passoO estoque esgotou em cinco horas e meia. "Nossas equipes de cadeia de suprimentos e manufatura tiveram que correr para aumentar a capacidade de produção", escreveu Bezos em carta aos acionistas na época.
Em julho de 2010, pela primeira vez, os clientes da Amazon compraram mais livros em formato Kindle do que em capa dura. Para cada 100 livros de capa dura vendidos naquele mês, foram 180 no formato digital — números alcançados depois de 15 anos vendendo capa dura e apenas 33 meses vendendo eBooks.
A plataforma afirma que mais de 72 milhões de unidades do Kindle foram vendidas em 2024. Os dispositivos são utilizados em mais de 90 países, enquanto os usuários acessam conteúdos em mais de 40 idiomas.
Kindle Basic, Kindle Paperwhite, Kindle Oasis e Kindle Scribe concentram mais de 85% das vendas globais de dispositivos de leitura com telas de tinta eletrônica, ainda segundo a Market Growth Report.
Os dados também apontam que, em 2023, os dispositivos Kindle deram acesso a um catálogo combinado de mais de 9 milhões de eBooks, audiolivros e documentos em bibliotecas.
Jeff Bezos: fundador da Amazon criou e-reader para vencer os livros da varejista (David McNew / Correspondente/Getty Images)
O usuário médio do Kindle lê 35 eBooks por ano, volume quatro vezes maior que a média registrada entre leitores que não utilizam dispositivos digitais. Mais de 60% dos usuários também assinam o Kindle Unlimited, serviço de assinatura de livros digitais da Amazon.
Os Estados Unidos responderam por aproximadamente 38% das vendas do Kindle em 2024. Países europeus representaram outros 27% das vendas no período, de acordo com a plataforma.
A permanência do Kindle num mercado dominado por smartphones e tablets se explica pela tecnologia da tela. O sistema de tinta eletrônica, ou e-ink, simula a leitura no papel e não emite luz azul — o que reduz o cansaço visual em sessões longas.
É também o que explica a autonomia de bateria que virou marca do produto: por consumir energia apenas quando a página muda, e não continuamente como uma tela LCD, o aparelho dura semanas com uma única carga.
Bezos resumiu o objetivo de design em uma frase, meses após o lançamento: fazer o dispositivo "desaparecer nas suas mãos, sair do caminho, para que você possa aproveitar sua leitura".