Lançador de satélites: foguete brasileiro tem teste hidrostático bem-sucedido (MARK GARLICK/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)
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Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 13h45.
O Brasil avançou mais uma etapa no esforço para voltar a ter um lançador nacional de satélites. Um consórcio liderado pela Cenic, empresa sediada em São José dos Campos (SP), concluiu com sucesso um novo teste estrutural do Microlançador Brasileiro (MLBR), foguete de combustível sólido desenvolvido em parceria com Concert Space, Plasmahub, Delsis e Etsys.
O avanço ocorreu após a realização de um teste hidrostático no Sistema de Navegação Inercial integrado ao GNSS (SNI-GNSS), etapa usada para verificar se os tanques e componentes estruturais suportam níveis máximos de pressurização. O resultado indicou que o veículo pode avançar para fases mais complexas de validação.
Em setembro de 2024, a Agência Espacial Brasileira (AEB) já havia informado que testes de voo do sistema de navegação, realizados a bordo de uma aeronave monomotor, foram bem-sucedidos. Esses ensaios serviram para validar o comportamento do sistema em condições reais de operação, ainda fora de um foguete. Agora, o consórcio documenta mais um teste positivo ligado ao primeiro estágio do lançador.
O projeto conta com financiamento público da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Segundo os desenvolvedores, o teste recente permitiu simular limites de pressão interna, antecipando possíveis falhas associadas à combustão — um dos pontos mais críticos em veículos lançadores.
Apesar do avanço, o MLBR ainda precisa passar por etapas relevantes antes de um voo real, como testes de vibração, interferência eletromagnética e validações integradas de sistemas.
O microlançador é tratado pelo setor como um sucessor tecnológico do Veículo Lançador de Satélites (VLS), programa encerrado após uma série de falhas, incluindo o acidente de 2003 em Alcântara. Diferentemente do VLS, o MLBR segue uma abordagem mais enxuta, focada no mercado de pequenos satélites e em missões de órbita baixa.
O foguete tem cerca de 12 metros de comprimento e foi projetado para colocar cargas de até 40 quilos em altitudes de aproximadamente 450 quilômetros. O valor total contratado até agora gira em torno de R$ 189 milhões.
A expectativa atual do consórcio é concluir a construção do veículo em escala real após a fase final de testes e realizar a primeira missão orbital em 2026. “Cada etapa concluída aproxima o país da meta de ter um lançador próprio, estratégico para a soberania e para a economia espacial”, afirmou Rafael Mordente, CEO da Concert Space, em nota divulgada pelo governo federal.
Documentos técnicos indicam que o MLBR terá cerca de 1,1 metro de diâmetro, estrutura em materiais compósito, como fibra de carbono, e sistemas desenvolvidos para atender padrões internacionais de segurança e confiabilidade. Detalhes sobre a propulsão permanecem sob descrição genérica, como “tecnologias avançadas”, enquanto os testes continuam.
Após duas décadas sem capacidade própria de lançamento, o programa representa uma tentativa cautelosa de reconstruir competências espaciais no país — agora em um segmento menor, mais realista e alinhado ao mercado global de microssatélites.