Como a NSA consegue espionar milhões de pessoas nos EUA

A Agência de Segurança Nacional americana montou um gigantesco esquema para bisbilhotar as comunicações nos Estados Unidos e em outros países

São Paulo — A época em que um agente conectava fios a um telefone para grampeá-lo ficou para trás há muito tempo, ao menos nos Estados Unidos. O escândalo da espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana na operadora Verizon mostrou que basta um comando num computador para gravar conversas, mensagens e e-mails de alguém.

Essas atividades secretas vêm sendo realizadas em grande escala com a justificativa do combate ao terrorismo. Ganharam visibilidade depois que Edward Snowden, que trabalhou na empresa Booz Allen prestando serviços à NSA, revelou o esquema de arapongagem montado pela agência aos jornais Guardian e Washington Post.

Por meio de seu programa PRISM, a agência tem acesso direto aos servidores da Verizon e pode interceptar conversas privadas de qualquer assinante da operadora. Acredita-se que o esquema inclua também as demais operadoras de telecomunicações americanas. 

Para ter acesso às comunicações pessoais de tanta gente, a NSA montou uma gigantesca infraestrutura de captação e processamento de dados. É o “big data” a serviço do “big brother”. 

Salas de espionagem

Em março do ano passado, uma reportagem da revista Wired trouxe detalhes sobre a infraestrutura que a NSA estava montando. O texto é assinado por James Bamford, autor de vários livros sobre a NSA e a espionagem nos Estados Unidos.

Segundo a Bramford, a NSA construiu salas de espionagem secretas nas principais companhias de telecomunicações nos Estados Unidos. “Controlados pela NSA, esses espaços de alta segurança são onde a agência se conecta ao sistema de comunicações do país”, diz ele.


Uma dessas salas, instalada num prédio da AT&T em São Francisco, na Califórnia, foi revelada por um delator em 2006. William Binney, criptólogo que trabalhou para a NSA, disse à Wired que deve haver entre dez e vinte dessas salas de espionagem no país. Esse sistema permitiria a gravação de 320 milhões de conversas telefônicas por dia.

Basicamente, conta Binney, basta fornecer o nome de uma pessoa ao sistema para que todas as conversas dela passem a ser registradas e todos os e-mails e mensagens instantâneas passem a ser interceptados. A NSA também teria acesso às contas telefônicas.

Mas a captação dos dados é só o começo. É preciso transmiti-los até o data center onde serão analisados. O New York Times relata que a Verizon instalou um cabo de fibra óptica ligando seu centro de operações em Nova Jersey a Quantico, no estado de Virgínia, onde há uma grande base militar. Assim, o centro de operações da Verizon estaria conectado a redes de dados militares. 

Data center gigante

O passo seguinte é armazenar e analisar os dados. Bamford dá detalhes sobre um gigantesco data center que a NSA está construindo em Bluffdale, no estado americano de Utah. Com 93 mil metros quadrados, ele tem custo estimado em 2 bilhões de dólares. A previsão é que fique pronto até setembro deste ano.

“No meio do deserto de Utah, a NSA constrói o maior centro de espionagem do país. É a peça final de uma rede secreta de vigilância que vai interceptar e armazenar seus telefonemas, e-mails, buscas no Google... Cuidado com o que você fala”, diz o texto na capa da Wired.


A capacidade do data center de Bluffdale é enorme. Mas há mais. O New York Times diz que o Watson – o computador da IBM que derrotou os humanos no programa de perguntas e respostas Jeopardy! – também vem sendo testado tanto pela CIA como pela NSA. Sua capacidade de vasculhar dados não estruturados seria ideal para analisar o conteúdo captado pela NSA.

O noticiário Business Insider levanta a possibilidade de a NSA estar usando também o Titan, o supercomputador mais poderoso do mundo, para análise de dados. A agência tem uma grande instalação anexa ao Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee, onde fica o Titan. 

Criptografia

Parece haver duas razões para a NSA precisar de tanto poder de processamento. A primeira, acredita-se, é que, em vez de selecionar conversas específicas, a agência americana começou a gravar telefonemas e mensagens de forma um tanto indiscriminada.

O objetivo seria identificar informações que possam levar aos suspeitos de terrorismo que a agência busca. Como o volume de dados é enorme, os computadores precisam ser extremamente poderosos para analisá-los.

A outra razão é que parte da comunicação na internet é criptografada. Dados de transações financeiras, informações de empresas e até mensagens pessoais muitas vezes trafegam cifrados pela rede. Bamford diz que a NSA busca computadores cada vez mais potentes para quebrar a criptografia e decifrar esse conteúdo.

Dependendo do tipo de criptografia utilizado, esse processo pode ser demorado. A enorme capacidade do data center de Bluffdale permitiria armazenar os dados até que possam ser decifrados. Pelo jeito, é bom tomar mesmo cuidado com o que você diz.

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