Ciência

Cientistas desenvolvem primeiro membro criado em laboratório

Os médicos usaram a estrutura do membro de um rato morto para implantar células do receptor e foram bem sucedidos


	Médicos retiraram todas as células vivas do membro de um rato doador, apenas deixando a membrana intacta
 (Cortesia Hospital Geral de Massachusetts)

Médicos retiraram todas as células vivas do membro de um rato doador, apenas deixando a membrana intacta (Cortesia Hospital Geral de Massachusetts)

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Da Redação

Publicado em 5 de junho de 2015 às 15h39.

São Paulo - Depois de experiências bem sucedidas desenvolvendo rins e fígados em laboratório, uma equipe de cientistas e cirurgiões do Hospital Geral de Massachuetts (MGH) conseguiu produzir o primeiro membro de laboratório do mundo – um antebraço com mão de um rato.

A pesquisa pioneira reduz as chances de rejeição do paciente por utilizar as células do próprio receptor.

A partir de uma técnica denominada transplante de “descelularização/recelularização”, os médicos retiraram todas as células vivas do membro de um rato doador, apenas deixando a membrana intacta, e reimplantaram na “estrutura” novas células musculares e do tecido vascular.

Após receber oxigênio e nutrientes, e com a ajuda de um biorreator especial, esse conjunto se regenerou por algumas semanas e cresceu. O membro, sem ossos nem cartilagens, recebeu também enxertos de pele em locais específicos.

Os pesquisadores do MGH então relataram que os músculos se moveram normalmente quando o membro estava “solto” – com um impulso elétrico, as patas abriram e fecharam.

Ao implantar em um rato saudável (e inconsciente), eles descobriram que o “biomembro” também funcionou bem. Um dos motivos para isto é que não há risco de rejeição do transplante porque são utilizadas as células do próprio receptor, ou seja, nenhum tecido do doador original permanece.

Essa mesma técnica já fora utilizada antes para fazer crescer órgãos, porém a operação envolvendo membros é mais complexa porque inclui mais tipos de células e também nervos.

“Membros contêm músculos, ossos, cartilagem, vasos sanguíneos, tendões, ligamentos e nervos - cada um dos quais tem de ser reconstruído e exige uma estrutura de suporte específica", disse Harold Ott, principal médico envolvido, em um comunicado.

O intuito da pesquisa é criar uma alternativa para os transplantes convencionais, que apresentam alto risco de rejeição pelo paciente, podendo ocasionar a medicação de imunossupressores pelo resto da vida.

Ainda é um pequeno passo em direção à solução definitiva, mas se funcionar o “biomembro” poderá no futuro ser usado como substituto de membros amputados ou perdidos em acidentes.

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