Refrigerante Zero (rolleh/Photopin)
Da Redação
Publicado em 15 de agosto de 2014 às 08h02.
Bebidas adoçadas artificialmente conhecidas no mercado como "light" ou "zero" ainda são vistas com desconfiança por uma parcela de consumidores preocupados com a ingestão de ingredientes usados pela indústria.
Para a engenheira de alimentos Maria Cecilia de Figueiredo Toledo, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não há motivos para preocupação: todos os adoçantes aprovados para uso em alimentos no Brasil são seguros.
"Não há registro na literatura científica de danos à saúde causados pelo uso desses adoçantes como parte de uma dieta equilibrada. Pelo contrário, quando substituem o açúcar, esses aditivos trazem benefícios não só para diabéticos, mas também para aqueles que visam perder peso ou reduzir a ingestão calórica", comenta Maria Cecilia, que trabalha há 35 anos com aditivos alimentares e é especialista em adoçantes.
O motivo para tanta desconfiança, diz ela, são informações equivocadas que circulam na Internet associando esses ingredientes a problemas de saúde. A principal diferença entre o refrigerante zero e o normal, explica Maria Cecilia, é que a versão regular contém açúcar e a versão zero substitui esse nutriente por adoçante, o que faz com que ele não tenha calorias. "Em geral, a única fonte de calorias do refrigerante é o açúcar. Na versão zero, ao excluí-lo, a bebida deixa de fornecer calorias para a dieta", explica Maria Cecilia.
A engenheira da Unicamp explica ainda que todos os adoçantes usados em alimentos e bebidas no Brasil foram aprovados por comitês científicos de especialistas, que estabeleceram valores de Ingestão Diária Aceitável (IDA) para cada um deles.
A IDA, expressa em mg/kg de peso corpóreo, representa a quantidade máxima do aditivo que pode ser ingerida diariamente sem danos à saúde humana. "Em geral, é muito difícil ultrapassar esse limite, já que seria necessário o consumo de muitos litros da bebida", afirma.
A especialista cita os adoçantes que são mais comumente utilizados em bebidas: sacarina, aspartame, ciclamato, acessulfame-K, sucralose.
"A indústria costuma utilizar uma variedade de adoçantes, e não apenas um, para desenvolver o sabor do produto. Essa prática é positiva, pois diminui o consumo individual de cada substância", detalha.
No caso do aspartame, por exemplo, a IDA estabelecida pelo JECFA - Comitê de Especialistas vinculado à Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) - é de 40mg/kg de peso corpóreo.
Isso significa que uma pessoa de 60kg pode consumir até 2.400mg de aspartame por dia, por toda a vida. "Uma lata de refrigerante zero de 350ml costuma ter em média 30mg de aspartame. Para alguém atingir o limite da ingestão de aspartame, teria que consumir diariamente 80 unidades", calcula.
Algumas bebidas zero podem apresentar uma quantidade de sódio maior do que a versão regular, em função do uso de adoçantes que contêm sódio, como é o caso da sacarina de sódio e do ciclamato de sódio.
"No entanto, ainda assim a quantidade de sódio é muito baixa se comparada à de outros alimentos e, por isso, essas bebidas são consideradas produtos com baixa concentração de sódio", esclarece.