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Rio Innovation Week: a fórmula para não virar apenas mais um festival de inovação

À EXAME, Bruna Reis detalha a estratégia para manter o festival entre os maiores da América Latina; evento começa nesta terça-feira e espera movimentar R$ 4 bilhões

Rio Innovation Week: festival acontece de 4 a 7 de agosto, no Pier Mauá (Divulgação)

Rio Innovation Week: festival acontece de 4 a 7 de agosto, no Pier Mauá (Divulgação)

Soraia Alves
Soraia Alves

Repórter de Marketing

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 06h00.

Há alguns anos, reunir executivos, pesquisadores, criativos e futuristas em um mesmo palco era suficiente para transformar uma conferência em um festival de inovação. Hoje, essa fórmula já não basta.

O Brasil viu crescer o número de festivais dedicados à tecnologia, negócios e criatividade. Novas conferências surgiram, empresas criaram seus próprios encontros e grandes eventos internacionais ganharam versões brasileiras. Nesse cenário, o maior desafio não é exatamente falar sobre inovação, mas oferecer uma experiência capaz de justificar os dias longe do escritório e o investimento financeiro necessário.

Com o Rio Innovation Week (RIW) não é diferente. O evento, que começa nesta terça-feira, 4, chega à sua sexta edição na capital fluminense consolidado como um dos maiores festivais de inovação da América Latina. Mas, para Bruna Reis, diretora-executiva do festival, o maior desafio não é montar uma programação interessante, mas sim a necessidade permanente de se reinventar.

“O público ganha muito com esse crescimento dos festivais. E isso é ótimo. Mas, sim, isso nos obriga a sair da caixa o tempo inteiro. Não existe comodismo se você quer manter o seu evento relevante”, afirma a executiva.

Apesar do desafio, Reis destaca que o RIW não precisa "convencer" o público de que é diferente. A proposta de ser um evento multidisciplinar e voltado para a democratização do acesso à inovação já é o seu grande diferencial.

“Queremos levar inovação para quem normalmente não frequenta festivais de tecnologia. A gente quer que o médico, o professor, o comerciante e o empreendedor tenham acesso a essas discussões sem precisar viajar para Austin ou Lisboa.”

Bruna Reis, diretora-executiva do Rio Innovation Week

Bruna Reis, diretora-executiva do Rio Innovation Week: "Permita-se se perder no Rio Innovation Week" (Divulgação)

Inovar em terra, mar e conversas

Na edição de 2026, o RIW espera reunir, em quatro dias de evento no Pier Mauá, cerca de 180 mil participantes, 2 mil startups, 40 palcos e 60 conferências. Como resultado, a expectativa do evento é movimentar R$ 4 bilhões em negócios.

Para garantir as boas projeções, o trabalho de preparação do RIW começou há um ano, quando a edição anterior terminou. Reis conta que o festival é montado do zero na zona portuária do Rio, um espaço que originalmente não foi desenhado para funcionar como um centro de convenções.

Depois de ocupar praticamente toda a área do Pier Mauá, a organização precisou encontrar novas formas de ampliar o festival sem mudar de endereço.

“Crescemos e problemas logísticos surgiram. A solução veio olhando para a Baía de Guanabara. Percebemos que só poderíamos crescer para o mar”, conta Reis. Nasceu aí a ideia de incorporar o NAM Atlântico, maior porta-helicópteros da Marinha do Brasil, como parte do evento.

O navio funciona como uma extensão das ativações em terra, comportando painéis, experiências tecnológicas e visitas abertas ao público. No ano passado, o espaço recebeu 52 mil visitantes.

Nesta edição, o festival também amplia a programação com novos espaços temáticos e experiências imersivas. Entre as novidades estão os palcos Encontros, voltado a conversas intimistas à beira da Baía de Guanabara; Palavras, dedicado à literatura, às ideias e ao pensamento contemporâneo; e o Immersive Talks, que reúne especialistas, pesquisadores, artistas e empresas para debater as aplicações e o futuro das Realidades Estendidas (XR).

O RIW também utiliza uma estratégia de curadoria descentralizada: cada uma das 60 conferências possui seu próprio especialista. Isso, segundo a organização, permite que o evento fale sobre diferentes temas simultaneamente.

“Não trabalhamos com um único curador. Cada trilha tem um especialista responsável por pensar aquele conteúdo. Isso permite acompanhar o que está acontecendo de mais relevante em cada setor de um jeito mais aprofundado”, afirma a executiva.

Essa curadoria também lida com um desafio vivido por quase todos os eventos de inovação da atualidade: o excesso de conversas sobre inteligência artificial.

Para a organização, o debate sobre a tecnologia é inevitável, mas é preciso deslocar a conversa da ferramenta para o seu impacto na sociedade. “O desafio agora é entender como ela transforma profissões, negócios e relações humanas”, diz Reis.

É nesse contexto que o RIW propõe como tema desta edição “Simbiose: o futuro não acontece isolado”. A ideia é mostrar que inovação é uma pauta do dia a dia, conectada a áreas como ciência, cultura, educação, saúde, varejo, indústria criativa e políticas públicas.

Como aproveitar o Rio Innovation Week

Um dos destaques desta edição é a participação da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, que abre oficialmente o festival. Ela se junta a convidados como o Nobel de Medicina Edvard Moser, o físico Brian Greene, a astrônoma Jill Tarter, o futurista Douglas Rushkoff, o neurocientista David Eagleman, além de brasileiros como Camila Farani, Djamila Ribeiro, Marcelo Gleiser, Seu Jorge e Zélia Duncan.

Para quem vai ao evento, Reis recomenda:

  • Montar a agenda com antecedência;
  • Usar o aplicativo oficial do Rio Innovation Week;
  • Retirar a credencial antes da abertura dos portões.

O excesso de planejamento, no entanto, pode atrapalhar a experiência do festival.

“Permita-se se perder”, diz Reis. “Converse com quem está na fila, entre em uma palestra sobre um tema que você nunca pensou em assistir. É assim que surgem as melhores conexões.”

O Rio Innovation Week acontece de 4 a 7 de agosto, e ainda há ingressos disponíveis via SymplaA cobertura do festival, você confere na EXAME.

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