Após alcançar 468 milhões, WeChat enfrenta dificuldades

Impulso do WeChat para o crescimento no exterior enfrenta a concorrência do WhatsApp, da Facebook

A Tencent Holdings está descobrindo que os primeiros 468 milhões de usuários do serviço de mensagens WeChat foram os mais fáceis de conseguir.

O aplicativo de mensagens que avassalou a China registrou sua menor marca de crescimento da quantidade de usuários ativos enquanto enfrenta dificuldades para atrair novos consumidores nos países ocidentais.

A Tencent, com sede em Shenzhen, está reduzindo o marketing e os gastos de vendas para se concentrar na expansão internacional em mercados mais “hospitaleiros”, disse o diretor de estratégia James Mitchell, sem dar detalhes específicos.

O crescimento espetacular do WeChat desde o lançamento em 2011 se deu na Grande China, onde seu principal concorrente é o serviço de mensagens QQ, um remanescente da era dos computadores de escritório que também pertence à Tencent.

Prestes a chegar à saturação no mercado doméstico, o impulso do WeChat para o crescimento no exterior enfrenta a concorrência do WhatsApp, da Facebook.

“Em países como os EUA, os usuários já estão acostumados a usar o Facebook para interagir na rede e o WhatsApp para enviar mensagens”, disse Wang Xiaofeng, analista da Forrester Research Inc. em Pequim. “Para eles, seria difícil se adaptar a um produto novo”.

A quantidade de usuários mensais do WeChat, conhecido como Weixin na China, aumentou 6,8 por cento no trimestre que terminou em setembro, em comparação com os três meses anteriores.

Esse foi o ritmo mais lento já registrado, menos da metade do ritmo do ano anterior, de 15 por cento.

A Tencent registrou ontem lucros abaixo das estimativas dos analistas. A receita total da empresa aumentou no ritmo mais lento desde 2007, pois os custos de desenvolvimento e de pessoal aumentaram.

WhatsApp e Viber

A popularidade dos aplicativos de mensagens instantâneas nos aparelhos móveis, que substituem os serviços mais caros de mensagem de texto, ajudou a estimular acordos e cotações altas.

O Facebook pagou US$ 22 bilhões pelo WhatsApp, que tem mais de 600 milhões de usuários, de acordo com o fundador da empresa.

O acordo foi anunciado em fevereiro, quase uma semana depois que de a Rakuten ter pagado US$ 900 milhões pelo aplicativo de mensagens Viber.

Line, o aplicativo de mensagens mais popular do Japão, que pertence à Naver Corp., foi cotado em US$ 15 bilhões.

O crescimento desse tipo de serviços ajudou a sustentar o valor de mercado da própria Tencent, de mais de US$ 150 bilhões. Suas ações em Hong Kong subiram mais de 30 por cento neste ano.

O WeChat poderia valer até US$ 64 bilhões devido ao potencial de monetização do serviço, disse Elinor Leung, analista da CLSA Ltd., em um relatório de março.

O presidente do conselho da Tencent, o bilionário Ma Huateng, vem utilizando o WeChat como uma base para as ambições da empresa de conquistar o mercado internacional e reduzir sua dependência da China, que gera mais de 90 por cento das vendas.

Lionel Messi

Até o presidente da China Xi Jinping estimulou a iniciativa durante sua visita à sede da Tencent, em 2012.

O WeChat conseguiu mais 113 milhões de usuários ativos desde dezembro, ao passo que o WhatsApp conquistou cerca de 200 milhões. Neste ano, o WhatsApp adicionou quase o dobro da quantidade de usuários em comparação com o WeChat.

A Tencent teria mais chances de se expandir caso se concentrasse nos mercados emergentes, como os países do Sudeste Asiático e da América Latina, disse Wang, da Forrester.

Em 2013, a empresa contratou a estrela argentina do futebol, Lionel Messi, para promover o WeChat, e tem publicado anúncios na África e no Brasil através de diversas plataformas, inclusive do Facebook.

Em junho, em Cingapura, o WeChat estabeleceu uma parceria com o aplicativo local de reserva de veículos Easy Taxi para atrair mais usuários, possibilitando que os clientes façam seus pedidos diretamente.

“Alguns mercados receberam bem nossa expansão internacional, especialmente através do nosso aplicativo WeChat”, disse Mitchell.

“Em outros mercados, especialmente no mundo ocidental, onde a publicidade é mais cara e menos eficiente, está sendo mais difícil conseguir avançar”.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.