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Como a dança moldou a carreira de Murilo Lazzari, diretor da Bvlgari no Brasil

Uma obrigação da rotina em família fez de Murilo Lazzari, country director da Bvlgari, um dançarino

Dança contemporânea: por muitos anos, o executivo se dedicou aos ensaios e palcos (Leandro Fonseca/Exame)

Dança contemporânea: por muitos anos, o executivo se dedicou aos ensaios e palcos (Leandro Fonseca/Exame)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 27 de maio de 2026 às 06h00.

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Sem planejar, a dança entrou na vida de Murilo Lazzari e acabou se tornando uma das experiências mais transformadoras de sua vida. Hoje country director da Bvlgari no Brasil, Lazzari passou mais de uma década entre ensaios, apresentações e laboratórios de criação coreográfica, em uma relação intensa com o jazz contemporâneo e o balé clássico.

Tudo começou aos 18 anos, quando ele foi levar a irmã mais nova para a aula de dança, e a coreógrafa Izabella Pharinas perguntou se ele tinha ido fazer um teste para ingressar na escola. A irmã acabou não seguindo. Lazzari, sim. Sem nenhuma experiência anterior, ele entrou para uma pequena participação em uma coreografia e rapidamente se envolveu com o novo universo. “Sempre tive interesse pela arte, música e beleza no geral. Mas dança em si, não”, diz. “Tudo aconteceu muito rapidamente. Como um bom escorpiano, me apaixonei intensamente.”

O início da trajetória foi no jazz contemporâneo, estilo que se tornaria sua grande paixão. Mais tarde, passou também pelo balé clássico, na Escola Paulista de Dança. “O clássico é justamente a base da movimentação”, diz. No entanto, seu interesse sempre se voltou para a linguagem mais experimental e contemporânea. “Eu gostava desse lado mais moderno, mais vanguardista, disruptivo da dança.”

Ao longo dos anos, Lazzari conciliou horas de aulas com o trabalho no varejo. Bolsista nas escolas em razão da falta de homens nos corpos de baile, precisou evoluir rapidamente na técnica para acompanhar turmas avançadas. Em determinado momento, porém, a rotina se tornou incompatível. “Chegou uma hora em que eu não conseguia mais conciliar cinco horas de ensaio e nove horas trabalhando em loja.”

Ainda assim, o vínculo nunca desapareceu. Uma tatuagem no braço marca justamente a transição entre a possibilidade de uma carreira profissional na dança e a decisão de seguir outro caminho. Inspirada em um bailarino, a arte foi criada por um tatuador de forma autoral. “Era justamente essa a virada final da minha história com a dança profissional”, diz.

Mesmo distante dos palcos, Lazzari continua profundamente conectado ao universo da dança. Frequentemente assiste a apresentações e acompanha companhias como Grupo Corpo, Deborah Colker e Balé da Cidade. Em viagens, tenta encaixar espetáculos na agenda. Uma de suas lembranças mais marcantes aconteceu em Londres, cidade pela qual se apaixonou ainda muito jovem. Durante uma temporada de estudos, assistiu a uma apresentação do Bolshoi no Royal Albert Hall. “Foi o máximo. Meu lugar favorito no mundo é o Bolshoi no Royal Albert Hall.”

Entre as apresentações que viveu como bailarino, uma segue especialmente viva na memória: uma coreografia que exigia pernas de pau e treinamento circense. “Parecia fácil, mas foi muito difícil”, conta. O figurino criava uma imagem quase animalesca, com muletas e movimentos inspirados em aranhas. “Era uma imagem bem agressiva.”

Mais do que técnica, Lazzari guarda da dança os aprendizados coletivos. Ele compara a construção de uma coreografia ao funcionamento de uma empresa. “A coreografia é um organismo único”, afirma. Para ele, a principal lição foi entender como diferentes partes precisam trabalhar juntas para que o resultado aconteça. “A disciplina e, acima de tudo, o trabalho em equipe que a dança exige construíram muito da minha carreira corporativa.”

Hoje, em meio à rotina intensa à frente da marca de origem italiana no Brasil, a dança deixou de ocupar o centro da agenda, mas continua presente como referência estética, emocional e profissional. Ainda que a relação com esse universo não seja mais a mesma dos tempos de ensaio, a dança permanece incorporada ao modo como Lazzari observa o mundo.

Agradecimento ao Cultura Artística

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