Jovens de baixa renda rompem estigma e viram influencers de finanças

Jovens de baixa renda rompem o estigma de que controlar as contas e investir depende de muito dinheiro e se tornam influenciadores cheios de empatia

Grana. Dinheiro curto. Pagar boletos. Foi com uma linguagem simples e direta que os influencers de finanças conquistaram seu espaço na internet e milhares de seguidores. São jovens que orientam sobre como poupar e investir e traduzem o “economês” para um público muito além da Faria Lima. Em comum, eles têm em mente que a educação financeira deve ser acessível a todos e que ela é uma ferramenta de transformação social.

O surgimento de influenciadores de finanças é explicado principalmente pela queda da taxa básica de juro, a Selic, nos últimos anos. Para Cristina Helena Pinto de Mello, economista e professora na ESPM, são profissionais que ganharam destaque porque explicam de uma maneira muito didática conceitos que sempre foram vistos como difíceis. Além disso, o público se identifica com a imagem deles. “Eles popularizaram o acesso ao mercado. Os influenciadores têm uma característica de confiança gerada pela empatia.”

Nathália Rodrigues é uma delas. Aos 22 anos, a recém-formada administradora de empresas, conhecida como Nath Finanças, tem quase 1 milhão de seguidores nas redes sociais (Twitter, Instagram e YouTube). Público que ela cativou nos últimos dois anos se apresentando como orientadora financeira para a baixa renda. De forma descontraída, Nath explica desde como limpar o nome no Serasa até como fazer o fluxo de caixa de uma empresa.

A ideia do canal surgiu após as aulas de matemática financeira na faculdade, que despertaram o interesse da jovem por finanças. Ela diz que criou o canal para ajudar pessoas como ela. Moradora de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, Nath conhece as dificuldades de quem mora na região periférica das cidades. Durante a pandemia, ela se dedicou a explicar como seria o pagamento do auxílio emergencial. “Os calendários divulgados eram confusos e era um dinheiro de que as pessoas precisavam.”

Da periferia de São Paulo vieram outros dois influenciadores: Gabriela Mendes Chaves, da NoFront Empoderamento Financeiro, e Murilo Duarte, do canal Favelado Investidor. A economista desenvolveu um método de ensino por meio do rap, pelas letras do grupo Racionais MC’s. O consumo e o endividamento são temas abordados. Pensando no passo a passo para ensinar qualquer pessoa a investir, Murilo Duarte criou o canal Favelado Investidor no ­YouTube.

O objetivo de Murilo, ex-morador do bairro João XXIII, é derrubar o mito de que só quem tem dinheiro pode investir. “Dá para comprar ação com 10 reais. Com 30 reais, você pode comprar título público. Não importa quanto você ganha, o importante é criar o hábito de investir.” Ele ensina como organizar as finanças, abrir uma conta na corretora e escolher uma empresa na bolsa.

Iniciativas também surgem em outros estados. Em Salvador, a jornalista Amanda Dias criou o canal Grana Preta, focado na população negra. Pelas redes sociais, ela dá dicas principalmente para quem trabalha de forma autônoma. Além do conteúdo gratuito, ela dá cursos e palestras para ajudar no que ela chama de emancipação financeira.

No Sul do país, surgiu o Boletinhos. Quem comanda o perfil no Twitter e no Instagram é o publicitário Alan Soares. O jovem era a principal referência para os amigos quando o assunto era organização financeira. “Eu sempre fui muito bom em exatas e ajudava quem pedia. Aprendi sobre controle financeiro vendo minha mãe ralando em dois empregos para sustentar a casa. Cresci com essa noção.” São iniciativas que começam a se multiplicar país afora, diante de tantas necessidades e oportunidades que existem.

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