Economia

Oriente Médio perderá US$ 4,3 bilhões em 2026 no setor aéreo, prevê Iata

Empresas como Emirates, Etihad e Qatar possuem hubs na região e foram afetadas pela guerra do Irã

Museu do Futuro, em Dubai, um dos hubs aéreos do Oriente Médio (Leandro Fonseca /Exame)

Museu do Futuro, em Dubai, um dos hubs aéreos do Oriente Médio (Leandro Fonseca /Exame)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 7 de junho de 2026 às 16h01.

Última atualização em 9 de junho de 2026 às 14h17.

Rio de Janeiro* - As empresas aéreas do Oriente Médio deverão ter prejuízo acumulado em 2026 de US$ 4,3 bilhões, avalia a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

"Reduções de capacidade, cancelamentos de voos, interrupções operacionais e preços elevados do combustível estão elevando as despesas operacionais. Enquanto isso, a perda de tráfego de conexão está afetando os fatores de ocupação e aumentando os custos unitários", diz a Iata, em um relatório sobre o estado atual da aviação global.

No final de fevereiro, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques ao Irã, que mataram o líder supremo do país, Ali Khamenei, e diversas outras autoridades. Em resposta, o Irã fez ataques a países da região do Golfo, que afetaram aeroportos nos Emirados Árabes e no Qatar.

A situação suspendeu operações de empresas como Emirates e Qatar Airways e despertou preocupações entre os passageiros. De janeiro a abril deste ano, a demanda caiu 46,6% na comparação com o mesmo período de 2025.

"Os mercados de carga na região também estão sob pressão. As interrupções reduziram a capacidade efetiva e provocaram uma realocação do tráfego de carga em trânsito para outras regiões, impactando o desempenho financeiro", diz a Iata.

Em 2025, as empresas aéreas lucraram US$ 7,2 bilhões. Como comparação, as companhias do setor da América Latina tiveram lucro de US$ 1,9 bilhão no ano passado, e devem lucrar US$ 1,2 bilhão em 2026.

Mudanças a longo prazo

Para a Iata, a crise atual poderá trazer mudanças de longo prazo para a região.

"A recuperação imediata provavelmente será impulsionada mais pelos preços do que por um rápido retorno dos volumes. A longo prazo, as vantagens estruturais devem sustentar uma recuperação do tráfego, embora potencialmente com margens menores, o que poderá remodelar a economia do modelo baseado em hubs", diz a Iata.

A entidade aponta que, apesar da crise, a região mantém algumas vantagens, como menos impostos, baixo endividamento das empresas e acesso próximo a combustível, quando as rotas locais forem retomadas por completo.

"Além disso, sua posição geográfica, infraestrutura consolidada e rede densa são fatores que garantem o sucesso a longo prazo", afirma a Iata.

*O repórter viajou a convite da Iata.

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