Revista Exame

Os planos do governo para destravar as exportações do agro na Ásia

Com foco na Ásia, o Brasil quer destravar mercados como China, Índia e Coreia do Sul ainda no primeiro trimestre

Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Exteriores do Mapa: “A primeira missão com a China é resolver o impasse das cotas. Ao todo, temos mais de 40 temas em discussão com os chineses” (Leandro Fonseca /Exame)

Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Exteriores do Mapa: “A primeira missão com a China é resolver o impasse das cotas. Ao todo, temos mais de 40 temas em discussão com os chineses” (Leandro Fonseca /Exame)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h00.

Última atualização em 27 de janeiro de 2026 às 16h21.

O governo brasileiro tem uma ambição para o primeiro trimestre de 2026: conquistar novos mercados na Ásia, da China à Malásia. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prepara uma rodada de encontros nos próximos meses para destravar as negociações. A missão ficará a cargo de Luis Rua, secretário de Relações Internacionais da pasta.

Em entrevista à EXAME, Rua diz que o clima é de otimismo, uma vez que os números reforçam a estratégia do governo.

A participação da Ásia (excluindo o Oriente Médio) nas exportações do agro cresceu 2,2% em 2025 em relação a 2024, atingindo 49,5% do total. Em valores absolutos, os embarques atingiram 84 milhões de dólares — alta de 5,3%.

Embora o Mapa ainda não tenha estimativas sobre o potencial dos novos mercados asiáticos, Rua acredita que o país deverá ultrapassar a marca de 550 mercados abertos já no primeiro trimestre.


Qual balanço você faz do agro em 2025?

Um ano de recordes. Abrimos e ampliamos 225 mercados, superando os 222 de 2024 e o total acumulado entre 2019 e 2022. Nos três primeiros anos da atual gestão, já somamos 525 mercados abertos. Nesse processo, o papel dos adidos agrícolas — representantes do Mapa no exterior — foi essencial. Cerca de 70% das aberturas de mercado ocorreram em países que contam com a presença deles.


O que está na agenda nesse plano com a Ásia?

O foco está em intensificar aberturas e ampliações de mercado em países como Índia, Coreia do Sul, Japão, Indonésia, Malásia e China. Já temos visitas agendadas para Índia e Coreia do Sul. No Japão, em março esperamos a missão técnica para a auditoria final, que vai liberar exportações de carne bovina de três estados do Sul.

Qual é o interesse do governo na Índia?

A prioridade é fechar o protocolo sanitário para exportação de feijão guandu, grão com grande consumo local. Se confirmada, a abertura deve elevar em até 15% as exportações totais brasileiras do grão já no primeiro ano. Há também diálogos sobre genética animal, para raças como -Nelore e Brahman.

Na Coreia do Sul, além da carne bovina, quais são as oportunidades?

A carne bovina depende de um relançamento formal das negociações, com papel importante da Presidência da República. A carne suína enfrenta uma limitação geográfica — atualmente, apenas Santa Catarina pode exportar. Queremos estender essa autorização a outros estados livres de febre aftosa sem vacinação. Já a uva é um produto valorizado no mercado sul-coreano e estamos em fase de aprofundamento técnico.


No caso chinês, há a questão das cotas tarifárias sobre a carne bovina, impostas no final de 2025.

Sim. Na China, a primeira missão é resolver o impasse das cotas, mas já estamos em negociação desde o dia 2 de janeiro. Ao todo, temos mais de 40 temas em discussão com os chineses, mas decidimos priorizar alguns. Nossa aposta é o DDG [grãos secos de destilaria], por ser um coproduto do milho com valor agregado. Além disso, queremos avançar com a exportação de miú-dos suínos e bovinos, buscar habilitações para farinhas de origem bovina e ampliar os embarques de feijão e arroz.


E o sudeste asiático nesse plano?

Estamos ampliando a presença na Indonésia e na Malásia com carne suína e bovina, com missões técnicas para habilitação de novas plantas. Além disso, foram abertas oportunidades para frutas como uva e melão na Malásia em 2025 que queremos expandir.

Acompanhe tudo sobre:1283

Mais de Revista Exame

Os 50 melhores filmes do ano, segundo mais de 120 críticos do Brasil

Segurança que se vê

Como a Nomad dobrou sua base de clientes em dois anos

O hobby do CEO da Cielo é tocar surdo em bloco de Carnaval