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Safra de café pode crescer 17%, mas setor enfrenta gargalos em 2026

Produção de café do Brasil deve renovar recorde em 2026, mas tarifas dos EUA e gargalos portuários preocupam setor

Exportação de café: embarques brasileiros do grão devem crescer 12% na nova safra (Paulo Fridman/Corbis/Getty Images)

Exportação de café: embarques brasileiros do grão devem crescer 12% na nova safra (Paulo Fridman/Corbis/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h00.

As primeiras projeções para o setor de café do Brasil são promissoras. Se confirmada, a produção deve crescer 17% na safra 2026/27 em relação à anterior, renovando o recorde de 2020, com 66,2 milhões de sacas de 60 quilos, segundo a Conab. Na mesma linha, as exportações devem subir 12% e alcançar 45,6 milhões de sacas, projeta o Itaú BBA.

Para Marcos Matos, diretor do Conselho de Exportadores de Café (Cecafé), o primeiro trimestre do ano é decisivo para o enchimento dos grãos — etapa em que ocorrem o crescimento, o acúmulo de peso e o desenvolvimento final do fruto, fortemente influenciados pela incidência de luz solar e volume de chuvas.

“Os indicadores sugerem que 2026 pode consolidar uma produção robusta, recuperando perdas anteriores. Tudo indica uma safra melhor”, afirma.

Mesmo com melhora na produção e nos embarques, incertezas permanecem, como a tarifa de 50% dos EUA sobre o café solúvel e os gargalos no Porto de Santos, principal via de escoamento.

A expectativa é de que o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, previsto para março, leve o tema à pauta. “Os EUA não têm indústria de café solúvel. Há parceria e dependência do nosso produto. Março será um mês fundamental, e esperamos que o encontro e os esforços diplomáticos revertam a tarifa”, diz Matos.

Outro entrave é logístico: os gargalos no Porto de Santos, principal via de escoamento, podem gerar perdas de até 73,9 milhões de reais, um aumento de 20% em relação a 2025, segundo a logtech ElloX.

“Com uma safra forte e infraestrutura atrasada, os terminais devem operar ainda mais no limite. Os tempos de gate [o intervalo entre a entrada e a saída dos caminhões] tendem a se alongar”, diz Lucas Moreno, CEO da startup. Segundo ele, o porto cresceu 40% nos últimos cinco anos, mas a infraestrutura não acompanhou esse avanço.

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