Localiza: apesar do cenário adverso, a empresa se destacou, conseguindo recompor a rentabilidade
Repórter
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 25 de setembro de 2026 às 11h53.
Em um ano visto como teste de resistência para as locadoras de veículos, com a Selic alta encarecendo a aquisição de frota e impondo desafios de eficiência, a Localiza se destacou, conseguindo recompor rentabilidade apesar do cenário adverso. O retorno sobre capital anualizado chegou a 15,5%, com folga de 5,5 pontos sobre o custo da dívida. O CEO Bruno Lasansky diz que a trajetória de melhora dos números não fica refém do macro. “Uma empresa forte e boa tem que trazer resultado e desempenho em qualquer cenário.”
A companhia recompôs tarifas sem sufocar a demanda, e Lasansky rejeita a ideia de que a estratégia se esgotou: “Temos conseguido manter crescimento de receita e de volumes”. O custo de ter um carro rodando subiu, lembra ele, com juros e valor do veículo mais altos. A resposta veio da combinação de reajuste gradual de preço ao consumidor com ganhos de produtividade e utilização.
A pressão sobre os usados não deixou de existir. O barateamento do carro zero, puxado por reduções de imposto, derruba o preço do seminovo e força a empresa a depreciar mais rápido a frota que já possui. A chegada de marcas chinesas e de elétricos acelera esse movimento.
A Localiza toca a operação de seminovos com rede própria. São mais de 90 mil carros vendidos por trimestre, num ritmo que encurta o ciclo da frota e reduz o risco de estoque encalhado. A Localiza se alia à mesma tecnologia que a pressiona. A empresa fechou a compra de 10 mil híbridos e elétricos da chinesa BYD em dois anos, colocando esses carros no aluguel, na assinatura e nos seminovos.
O investimento na digitalização da experiência do cliente é outra tônica. A retirada digital, em que é possível fazer a reserva pelo app e sair com o carro sem nenhum contato humano, superou 1 milhão de contratos e sustenta a aposta no que Lasansky chama de nova mobilidade.
“Depois de todo esse ciclo de juros e de apreciação mais elevados, a companhia vê uma consolidação também das suas vantagens competitivas”, diz o CEO.

