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A rota de um crescimento exponencial de receitas já nos primeiros anos de vida é um desafio e tanto
 (Cyla Costa/Exame)
(Cyla Costa/Exame)
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Mariana DesidérioPublicado em 22/07/2022 às 06:00.

A rota de um crescimento exponencial de receitas já nos primeiros anos de vida é um desafio e tanto. Um jeito de chegar lá é resolver as maiores dores de cabeça de outras empresas no momento mais frágil para a sobrevivência delas. A escassez de mão de obra em tecnologia no meio da pandemia serve de exemplo desse tipo de gargalo.

Num momento de digitalização forçada de cadeias produtivas inteiras, a começar pelo varejo, a demanda por desenvolvedores de softwares — os populares “devs” — explodiu nas empresas brasileiras. O cargo de DevOps engineer é hoje o mais difícil de preencher no Brasil, segundo levantamento do site de empregos Indeed. Até 2025, vão faltar 800.000 profissionais de TI no Brasil, segundo projeção da Brasscom, associação do setor.

Tudo isso turbinou o negócio do empreendedor Ricardo Rodrigues, de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Em novembro de 2020, na fase mais braba da pandemia, Rodrigues largou uma carreira bem-sucedida como executivo em empresas de tecnologia como Catena, Yaman e V8 Consulting. Junto com o amigo de longa data Denys Rodrigues, ex-executivo da Linx, nessas experiências profissionais fundou a DQR Tech, uma empresa dedicada ao recrutamento de profissionais de TI e à terceirização de projetos para empresas com alta demanda de tecnologia.

Nesse caso, o profissional da DQR Tech fica alocado no cliente, que em geral são empresas do ramo financeiro e do setor de gás. Em 2021, a DQR faturou 7,3 milhões de reais, uma alta de impressionantes 38.852% na comparação com o resultado de 2020, quando a empresa amealhou 19.000 reais. “Temos um trabalho muito próximo do cliente, que nos vê como um parceiro de negócio”, diz Rodrigues. “Isso contribuiu muito para o nosso crescimento.”

A procura por profissionais com as chamadas habilidades do século 21 — programação, marketing digital, soft skills e por aí vai — alavancou a demanda por cursos online mundo afora durante a pandemia. Trancados em casa e livres de distrações, como o trânsito ou o vaivém do escritório, milhares de brasileiros dedicaram tempo para estudar algo pela internet durante o período. A tendência impulsionou o negócio da Escola Britânica de Artes Criativas e Tecnologia Online, a Ebac Online.

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Fundado há dois anos, o braço de cursos virtuais da escola, que já operava cursos presenciais num espaço de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, viu as receitas saltar de 3 milhões de reais em 2020 para 59 milhões de reais no ano passado. Por trás da expansão de mais de 1.704% nas receitas está um foco praticamente total na formação de mão de obra para o mercado de trabalho. No quadro de professores, 100% atuam em grandes empresas, como a varejista Via e o gigante de saúde Dasa, ou de estrelas do ecossistema de tecnologia brasileiro, com PetLove e SumUp. “Tínhamos a teo­ria de que a transformação digital pegaria fogo no setor e resolvemos testar o modelo”, diz o chairman Rafael Steinhauser, executivo com 35 anos de experiência no universo tech.

Na última década, Steinhauser foi presidente para a América Latina da fabricante de chips americana Qualcomm e hoje divide o tempo entre a gestão da Ebac e a Alpha Capital, um veículo de investimento em SPACs, uma modalidade de abertura de capital alternativa aos IPOs. Hoje a escola tem mais de 130 cursos e 50.000 alunos cadastrados. A expectativa é terminar 2022 com faturamento de 100 milhões de reais.

Assim como a educação, o varejo foi engolido pela onda tech. Esse avanço foi o pontapé inicial para que o empreendedor curitibano Diego Aguilera criasse o operador de marketplace Prioriza. Executivo com passagem pelo e-commerce de móveis MadeiraMadeira, Aguilera via a dificuldade das indústrias em operar na internet. Conquistar clientes online está longe de ser algo trivial. Onde estocar o produto sem gastar fortunas com a mercadoria parada? De que maneira agradar consumidores cada vez mais ansiosos por receber a encomenda num prazo curto? Todas essas perguntas viraram a ideia por trás da Prioriza, uma espécie de one stop shop para quem está dando os primeiros passos na venda online.

O negócio da Prioriza é dar um jeito em qualquer perrengue virtual — da foto do produto à entrega. Com a demanda em alta, a empresa faturou 2,8 milhões de reais em 2021. Em 2020, teve receita de 18.000 reais. “Há muitos anos dizemos que a indústria precisa se digitalizar. Com a pandemia, aquilo que era necessidade virou sobrevivência”, diz Aguilera. 

(Leandro Fonseca/Exame)

A busca do consumidor por mais conveniência nas compras também impulsionou a Take, startup de Ribeirão Preto, no interior paulista, dedicada à fabricação de máquinas supertecnológicas para a venda de bebidas — conhecidas no mercado pelo termo em inglês vending machine. Parecidos com geladeiras com duas portas, os aparelhos da Take têm tecnologia de inteligência artificial e reconhecimento facial embarcadas.

O motivo: permitir ao cliente abrir o refrigerador, escolher a bebida desejada e levar o produto sem precisar abrir a carteira — o pagamento ocorre automaticamente por um aplicativo de celular. “Nosso grande diferencial é a experiência de consumo”, diz o cofundador Yoshitaka Terasawa. Em tempos de distanciamento social, o público aprovou a facilidade de comprar cerveja diretamente na máquina. A receita foi de 330.000 reais em 2020 para mais de 9,4 milhões em 2021 — hoje a Take já tem quase 3.000 “geladeironas” espalhadas pelo país.

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Estar conectado às tendências não significa apenas trabalhar com tecnologia. A Begin Spices, por exemplo, começou apostando na febre da gim tônica. Os carros-chefes são os sachês de especiarias e as espumas saborizadas para o cliente fazer drinques em casa. Com o isolamento social, a procura pelos produtos explodiu e a empresa saltou de uma receita de 87.000 reais em 2020 para 5,1 milhões de reais em 2021. “Nosso foco é lançar produtos com novas experiências para o paladar”, diz o CEO João Fogarolli. Seja na tecnologia, em bebidas, seja na educação, essas histórias provam que é possível ir do zero aos muitos milhões em poucos meses de vida.  

(Arte/Exame)

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